A democracia na Bielorrússia. Parlamento sem qualquer deputado da oposição

Os 110 deputados eleitos na Bielorrússia representam partidos favoráveis ao governo do Presidente Alexander Lukashenko, indicou hoje a Comissão Eleitoral do país, com a oposição a perder os dois lugares que detinha.

A Bielorrússia realizou no domingo eleições legislativas, mas os principais candidatos da oposição não foram autorizados a concorrer, nomeadamente após terem sido acusados de tecer "críticas infundadas ao governo".

O anterior parlamento tinha apenas dois membros da oposição e a comissão eleitoral recusou-se a deixá-los concorrer novamente, invocando razões técnicas.

Há um quarto de século que Lukashenko governa o país de dez milhões habitantes, com pouca tolerância pelos jornalistas independentes e uma liderança prolongada através de sucessivas eleições que o Ocidente descreve como não sendo livres nem justas.

As autoridades eleitorais rejeitaram já as alegações da oposição de irregularidades nos votos.

Um observador independente filmou uma mulher que tentou enfiar uma pilha de votos numa urna, durante a votação antecipada numa assembleia de voto em Brest, uma cidade na fronteira com a Polónia, mas a diretora da Comissão Eleitoral, Lydia Yermoshina, que ocupa o cargo há 23 anos, considerou que o observador que fez o vídeo não é credível.

A campanha eleitoral não teve direito a comícios, debates na televisão ou propaganda na rua.

Os Estados Unidos e a União Europeia têm criticado as autoridades bielorrussas pela falta de transparência eleitoral, impondo sanções contra o governo de Lukashenko.

No entanto, algumas dessas sanções foram suspensas nos últimos anos, quando a Bielorrússia libertou presos políticos, como parte dos esforços de Lukashenko para se aproximar do Ocidente, num momento de tensão com a Rússia, principal patrocinadora e aliada da Bielorrússia, que aumentou o preço do petróleo, causando um duro golpe ao país vizinho.

O analista bielorrusso Valery Karbalevich explicou que "Lukashenko descobriu que pode vender 'estabilidade' e o Ocidente está pronto para fechar os olhos a algumas coisas".

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