Dezenas de milhares apelam à democracia em Hong Kong. Pequim mobiliza tropas

Pequim mobilizou milhares de tropas na cidade vizinha de Schenzen, fazendo crescer os receios de uma intervenção em Hong Kong.

Milhares de manifestantes protestam à frente da sede do parlamento de Hong Kong, após uma marcha que estava proibida pelas autoridades, gritando palavras de ordem e apontando 'lasers' à polícia antimotim posicionada no terraço do edifício.

Com o cair da noite, a manifestação que começou em Parque Vitória ao início da tarde (manhã em Lisboa) estendeu-se pelas ruas de Hong Kong, causando mais um dia de caos nos transportes, com algumas ruas cortadas, estações de metro fechadas e o serviço de autocarros parcialmente afetado.

Num comunicado divulgado pelas 20:00 (13:00 em Lisboa), a polícia indicou que "um largo grupo de manifestantes está a ocupar várias vias principais, desde Tin Hau até Western District", e aconselha os condutores a evitarem deslocar-se para aquela área.

Antes, as forças de segurança já tinham alertado a população para zelar pela sua segurança, com vários elementos das forças de segurança a posicionarem-se em zonas chave no centro da cidade, como foi o caso do Gabinete de Ligação de Pequim em Hong Kong e do parlamento: o primeiro foi um dos alvos dos manifestantes, o segundo chegou mesmo a ser invadido e parcialmente vandalizado.

As forças de segurança tinham autorizado a manifestação em Parque Vitória, mas proibido a marcha convocada pelo movimento que tem liderado os grandes protestos contra a lei da extradição na antiga colónia britânica, administrada pela China desde 1997.

Um mar de guarda-chuvas desaguou nas ruas de Hong Kong a meio da tarde. Desta vez os guarda-chuvas não serviram até ao momento para os manifestantes se protegerem do gás pimenta, habitualmente usado pela polícia para dispersar os jovens, mas para se protegerem da tempestade que se abateu sobre o território.

Manifestação começou no parque Vitória

Milhares de pessoas começaram a juntar-se no parque Vitória, no centro de Hong Kong, para mais uma manifestação convocada pelo movimento pró-democracia que tem liderado os protestos maciços que abalam o território há 11 semanas.

Depois das manifestações de junho, que juntaram milhões nas ruas, depois de uma greve geral que paralisou a cidade, de contestações marcadas por violentos confrontos e de dias de caos vividos no aeroporto internacional do território, a Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH) volta a promover um protesto pacífico para aumentar a pressão sobre o Governo de Hong Kong.

O objetivo da manifestação e da marcha deste domingo passa por exigir que o Governo responda a cinco reivindicações: retirada definitiva das emendas à lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão da chefe do Executivo, Carrie Lam.

Pequim mobiliza tropas

Num momento em que Pequim mobilizou milhares de tropas na cidade vizinha de Schenzen, fazendo crescer os receios de uma intervenção em Hong Kong, a porta-voz e vice-coordenadora da FCDH, Bonnie Leung, disse à Lusa que é necessário voltar a focar a luta nas exigências iniciais e em promover protestos pacíficos maciços como aquele que, em 16 de junho, juntou cerca de dois milhões de pessoas, um número que representa quase um terço da população da ex-colónia britânica, administrada desde 1997 pela China.

Há mais de dois meses que Hong Kong é palco de protestos maciços, marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, que tem usado balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogéneo.

A 1 de julho, alguns manifestantes invadiram mesmo o parlamento local, o Conselho Legislativo de Hong Kong.

Mais recentemente, o aeroporto de Hong Kong foi palco de manifestações, com as autoridades a serem obrigadas a cancelar centenas de voos na segunda e na terça-feira naquela que é uma das infraestruturas aeroportuária mais movimentada do mundo.

Os defensores da lei argumentam que, caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China, tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".

Já os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

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