Destroços de The Terror e Erebus foram encontrados em 2014 e 2016

Procurados durante décadas após a partida da expedição, os destroços foram encontrados em bom estado

"Eu nunca tinha ouvido esta história. A coisa interessante é que a história é menos conhecida no Reino Unido do que no Canadá", afirma o ator Tobias Menzies, levantando hipóteses para este desconhecimento. "Aconteceu no território deles e é um falhanço naval, por isso a história foi como que suprimida e, ao longo do tempo, foi ignorada", reflete. Jared Harris tão-pouco a conhecia, disse ao DN, apesar de ter inspirado músicos, dramaturgos e romancistas.

John Franklin liderava uma expedição de 134 homens que saiu de Greenhithe, Inglaterra, em maio de 1845 com a missão de encontrar a Passagem do Noroeste, que ligaria Ártico e Pacífico. Levavam os mais modernos equipamentos de prospeção e provisões para vários anos - os relatos dos especialistas apontam para três a cinco anos de mantimentos, incluindo comida enlatada. O manifesto dos barcos lista quase 15 mil quilos de carne. Para lá de dois mil livros, um acordeão e um daguerreótipo. Poucos meses depois, cinco marinheiros foram mandados para casa. 129 seguiram para o Ártico e não voltaram.

Sem notícias do marido, a mulher do comandante, Lady Jane, exige explicações à marinha sobre o desaparecimento dos navios HMS Terror e HMS Erebus.

Em 1850 foram encontradas relíquias da expedição e três túmulos de membros da tripulação. Nove anos depois, outro explorador encontra uma missiva, datada de 25 de abril de 1848, dando contada morte de John Franklin. Está assinada por Francis Crozier e James Fitzjames.

Uma nova campanha de estudos na ilha de Beechey e em King William, em 1981, concluiu que muitos deles morreram de pneumonia, escorbuto, fome. Da tradição oral inuíte recolheram-se relatos de canibalismo entre membros da expedição.

Ao todo, contabiliza um artigo do New York Times, 90 expedições foram levadas a cabo para descobrir o que tinha acontecido John Franklin e aos seus homens, mas foi apenas em 2014 e 2016, e já depois de Dan Simmons ter escrito o romance The Terror, que foram encontrados os destroços dos navios. O primeiro foi o Erebus.

Com o navio foram encontrados vários artefactos. De ferramentas a um serviço de porcelana, preservado pelo gelo ártico. Encontrava-se a poucos quilómetros da ilha de King William, tal como o The Terror, localizado dois anos depois. O navio encontrava-se a cerca de cem quilómetros da zona onde os investigadores acreditavam que teria ficado preso.

Também preservado pelo gelo, o barco mantém elementos como janelas de vidro, disseram os investigadores no momento da descoberta.

Um arqueólogo da Fundação para a Pesquisa do Ártico, Adrian Schimnowski, citado pelo The Guardian, contou que os investigadores tinha entrado "em várias cabinas e encontrado despensas de comida com pratos e uma lata numa prateleira". E também foram detetadas duas garrafas de vinho, mesas, prateleiras vazias, gavetas abertas...

"Dada a localização do achado e o estado do destroço, é quase certo que o HMS Terror foi operacionalmente encerrado pela tripulação que restava que depois foi integrada no HMS Erebus e seguiu para sul onde encontraram o derradeiro e trágico desfecho", disse o investigador.

O Reino Unido anunciou em outubro que a propriedade dos destroços e artefactos encontrados no território ao largo de King William passaria para Parks, Canadá, que desde 2008 levava a cabo investigações. Deste lado do Atlântico ficará apenas uma amostra dos artefactos da expedição de John Franklin que foram encontrados 170 anos depois.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.