Camilo de Oliveira, um homem sem idade

Morreu este sábado aos 91 anos, diz-se. "Verdadeiramente não sei que idade tinha. Nem eu, nem ninguém. Não acreditem na história dos 91. Podiam ser 100".

Nasceu literalmente no teatro. Mais precisamente num camarim em Buarcos do Grupo Caras Direitas, a única companhia da Figueira da Foz na década de 1920. Morreu este sábado no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, onde estava internado na unidade de cuidados paliativos devido a cancros na próstata e nos intestinos.

Tinha, diz-se, 91 anos. "Verdadeiramente não sei que idade tinha. Nem eu, nem ninguém. Não acreditem na história dos 91. Podiam ser 100", recorda Nuno Santos, que deixou recentemente o cargo de diretor de conteúdos da MultiChoice África para o mercado de língua portuguesa e que trabalhou com Camilo de Oliveira no final da década de 2000, quando foi diretor de programas da SIC onde o ator interpretou várias séries de humor com o seu nome.

E é verdade. Basta recordar neste mesmo dia 3 de julho, mas de 2012 - também um domingo -, quando a então suposta morte do ator invadiu das redes sociais. Um rumor desmentido na altura pela mulher, Paula Marcelo, aos órgãos de comunicação social, que avançavam que Camilo de Oliveira se preparava para comemorar as suas 78 primaveras (teria, por isso, nascido em 1934 e não 1924) no dia 23 de julho e não a 11 de agosto, data que hoje está a ser noticiada como a do seu nascimento. A verdadeira data de nascimento do ator nunca foi pública. "Camilo era um Homem sem idade, um Homem de muitas vidas, muito mais do que sete, do teatro à televisão, das digressões no tempo em que não havia autoestradas", acrescentou Nuno Santos.

O ator estreou-se na interpretação na companhia itinerante da família ainda em criança. A paixão pelo teatro corria-lhe no sangue e acabou por rumar a Lisboa em busca de melhores oportunidades. Lisboa é Coisa Boa, em 1951, assinalou a sua estreia na revista à portuguesa. Nos anos seguintes partilhou o palco - e os ecrãs de televisão - com os maiores vultos do panorama artístico nacional. Beatriz Costa, Raul Solnado, Vasco Santana, Ivone Silva, Vítor de Sousa, Maria Emília Correia e Herman José são alguns deles.

Um dos seus primeiros sucessos no pequeno ecrã, a dupla "Os Agostinhos" do programa Sabadabadú, recebeu uma menção honrosa no Festival Rosa de Ouro de Montreux, na Suíça. Mais recentemente protagonizou várias séries cómicas em que a personagem central levava o seu nome, seis delas na SIC e uma da RTP1. São elas Camilo e Filho, Lda (1995), As Aventuras de Camilo (1997), Camilo na Prisão (1998), A Loja de Camilo (1999), Camilo, o Pendura (2002, na RTP1), Camilo em Sarilhos (2005) e Camilo, O Presidente (2009).

Deixa dois filhos dos casamentos anteriores: Camilo Humberto Appolloni de Oliveira, fruto da relação com a atriz italiana, radicada em Portugal, Io Appolloni, e Camilo Luís Bettencourt de Oliveira, com Maria Luísa Bettencourt.

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