Internacionalização e multilateralismo são traços da política externa portuguesa - MNE

O ministro dos Negócios Estrangeiros acrescentou hoje a internacionalização e o "à-vontade" no multilateralismo como traços identificativos da política externa portuguesa, durante o encontro anual dos embaixadores com governantes, empresários e representantes da sociedade civil.

"Talvez precisemos de incorporar no nosso discurso, na maneira como pensamos e na maneira como falamos, uma prática que já tem sido nossa: além da Europa, Atlântico, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP] e lusofonia, temos também cultivado o lado da internacionalização e feito do multilateralismo uma estrutura matricial da política externa portuguesa", afirmou Augusto Santos Silva na sessão de abertura do seminário diplomático, que decorre hoje e quinta-feira em Lisboa.

A política externa portuguesa caracteriza-se pela sua "clareza, estabilidade e não ambiguidade", que são "um dos recursos principais que o país tem e um trunfo coletivo", defendeu.

Santos Silva elencou as principais "marcas de água" da política externa -- "construção europeia, elo transatlântico, valorização da CPLP, ligação com as comunidades portuguesas residentes no estrangeiro -, mas considerou que este quadrilátero tem evoluído para um hexágono.

"Tem sido crescentemente assumido a necessidade de trabalharmos em conjunto no sentido da internacionalização da nossa economia, da nossa sociedade, do nosso ensino superior, da nossa cultura, do ensino da língua, da nossa ciência e inovação", afirmou, lembrando que cabe ao Ministério dos Negócios Estrangeiros "coordenar o esforço nacional" nesse sentido.

Santos Silva lembrou que "é responsabilidade do governo e da diplomacia contribuir para que possamos responder positivamente ao desafio de passar de um momento para um contínuo, com maior comércio internacional, maior abertura económica, mais exportações, exportações mais qualificadas, mercados mais diversificados, maior investimento português no estrangeiro e mais investimento estrangeiro em Portugal".

O chefe da diplomacia portuguesa identificou como oportunidades de internacionalização, este ano, a realização da Web Summit, pela terceira vez em Lisboa; a escolha de Portugal como país convidado da Feira do Livro de Guadalajara, no México; as comemorações do 10 de junho nos Estados Unidos, com a deslocação do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e do primeiro-ministro, António Costa, àquele país; o lançamento das comemorações do V centenário da viagem de circum-navegação e a participação na próxima exposição universal.

Por outro lado, "a forma como Portugal se tem empenhado nas organizações multilaterais, nas agendas multilaterais e no multilateralismo como uma maneira de gerir as nossas inter-relações e superar os nossos diferendos leva a assumir que este nosso à-vontade no multilateral possa ser constituído como um traço autónomo e característico da política externa portuguesa", disse.

Na sua participação nas organizações multilaterais, o país afirma "um valor próprio", apresentando-se "como um dos países mais seguros do mundo e sempre do lado da contribuição para a paz; como construtor de pontes; como uma das vozes dos micro, pequenos e médios Estados; como um ator global, numa lógica muito não confrontacional; como um aliado e parceiro estável e confiável, e como um país proficiente no desempenho das missões", sublinhou Santos Silva.

O ministro elencou como "desafios e oportunidades para 2018" a candidatura do antigo ministro e comissário europeu António Vitorino a diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações; a realização em Lisboa de uma "grande conferência internacional" para transformar a iniciativa de [antigo Presidente da República] Jorge Sampaio num mecanismo de resposta rápida no ensino superior a situações de emergência; a preparação da próxima conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em 2020; as atividades da Aliança para a Descarbonização dos Transportes, além de "outras iniciativas no âmbito da Agenda 2030, da Agenda do Clima e do empenhamento na reforma do sistema das Nações Unidas".

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