Zoo de Lisboa tem cemitério para animais domésticos

Foi criado em 1934, por causa do cão de um britânico, o primeiro cemitério de animais domésticos de Portugal. Fica no Jardim Zoológico e, além de cães e gatos, já lá teve sepultadas as mais variadas raças, até peixes e serpentes.

Quem anda a passear pelo Jardim Zoológico de Lisboa e decide visitar o urso-pardo, se der mais uns passos em direção a uma rua sem saída dá com um espaço com cerca de 1300 metros quadrados que, à primeira vista, se parece com um normal cemitério com sepulturas em mármore. Mas os dizeres de uma placa dourada colocada junto ao portão verde da entrada tiram logo as dúvidas, até porque estamos num espaço dedicado aos animais. "Em 1934, foi criado no Jardim Zoológico o primeiro cemitério de animais domésticos em Portugal. A primeira sepultura pertence a um cão de um cidadão britânico, à qual se juntaram outras. Este continua a ser um espaço que presta homenagem aos melhores amigos do Homem".

O cemitério de animais domésticos do Jardim Zoológico de Lisboa é o único existente na capital e um dos poucos do país. Como reza a história, o primeiro animal lá sepultado foi o cão de um cidadão britânico, no ido ano de 1934, mas não existe registo do nome ou da raça. Já olhando para os registos do Zoo de Lisboa, conforme conta ao DN Laura Dourado, do Departamento de Comunicação, é possível verificar que, naquele espaço, "o animal sepultado há mais tempo é uma cadela, de raça indefinida". "Está sepultada aqui desde o dia 27 de setembro de 1946 e o seu nome era Piaggy", completa.

Cães são os animais que encontram em maior número a sua última morada no cemitério do Zoo de Lisboa. Seguem-se gatos, coelhos e aves. "Também temos ou já tivemos periquitos, canários, pombos, hamsters ou peixes. Chegámos a ter primatas e serpentes, antes de ser proibido ter estes animais em casa", enumera Laura Dourado.

Quando questionada sobre se existe alguma história de animais que repousem no cemitério de que se recordem particularmente, Laura diz: "Todos os animais e respetivos donos têm as suas histórias. Destaco algumas que se tornaram conhecidas e que fazem parte da história deste espaço. Por exemplo, a da Chamusca, uma cadela heroína cuja história se pode ler na campa: 'Homenagem à Chamusca, que salvou um menino que a madrasta lançou ao poço'. E, mais abaixo, encontramos a Dali, uma cadela guia que dedicou a vida aos seus donos".

Tratamento especial para os bombeiros

Na altura da despedida, os donos dos animais de estimação costumam fazer um funeral, sendo que até existe uma empresa especializada para este tipo de serviço. "Antigamente, as pessoas colocavam até anúncios no jornal a informar da morte do animal e a hora e o local do enterro."

No que diz respeito a valores, da parte do Zoo, o funeral tem um custo de 132 euros e é necessário fazer marcação prévia. A renovação anual da campa custa 94 euros e o levantamento da campa 110. "Por motivos de saúde pública, o levantamento só poderá ser realizado ao fim de algum tempo, dois anos para gatos e animais de pequeno porte, três anos para animais de médio porte e cinco anos para animais de grande porte. Os animais podem ficar no cemitério o tempo que os donos desejarem. Têm apenas de proceder à renovação anual da campa", informa Laura Dourado. Só há uma exceção: "O Jardim Zoológico cede campas gratuitas aos cães das cooperações de bombeiros".

Tal como nos cemitérios normais, as pessoas que quiserem visitarem os seus entes queridos podem fazê-lo dentro de um horário especial estabelecido pelo Jardim Zoológico. "As visitas podem ser feitas todos os dias, das 09h30 às 12h00 e das 13h00 às 17h00. Quanto ao acesso ao Zoológico, são cedidas algumas entradas na altura do enterro e da renovação da campa. Após a utilização dessas entradas gratuitas deverão pagar bilhete para aceder ao local", explica ao DN Laura Dourado.

ana.meireles@dn.pt

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