PSD junta-se ao PCP e aprova moção contra linha circular do metro

É a segunda vez que a vereação aprova um texto contra a linha circular, mas agora com a anuência do presidente da câmara. Uma recomendação, com as obras já no terreno.

Não é uma convergência inédita, mas o contexto torna-a mais significativa: os vereadores do PSD na Câmara de Lisboa juntaram-se ontem ao PCP para aprovar a moção dos comunistas que defende a suspensão da linha circular do metropolitano. A votação deixou isolados os eleitos pelas listas do PS, dado que também o Bloco de Esquerda votou a favor.

O texto ontem aprovado é uma recomendação ao Governo - que tem a tutela do metropolitano - sem caráter vinculativo. Mas sobe o tom da oposição política à criação de uma linha circular em Lisboa, que se estende agora ao próprio executivo da capital. O documento exorta o Governo a "determinar ao Metropolitano de Lisboa a suspensão de todo o processo relativo à construção da linha circular", nomeadamente a não assinatura da concessão "da obra dos viadutos do Campo Grande", parte integrante da linha circular. A moção também solicita ao Governo a "articulação urgente" com a Câmara Municipal de Lisboa, no sentido de "identificar as prioridades que devem ser estabelecidas" na rede de metro, reavaliando o "impacto da suspensão imediata das obras da linha circular".

Num terceiro ponto - que mereceu a aprovação também dos eleitos do PS, sendo aprovada por unanimidade - são estabelecidas as "prioridades" para a expansão da rede do metro: para Alcântara e zona ocidental de Lisboa; com ligação a Loures, através da linha amarela; e ligação a Benfica através da linha verde, via Telheiras.

Em comunicado, o PCP lembrou que a própria Assembleia da República determinou, no Orçamento de Estado para 2020, a suspensão do projeto da linha circular e a priorização da expansão do metropolitano até Loures, e para a zona ocidental da cidade. O que também não teve efeitos práticos, dado que o Governo de António Costa avançou nos moldes já previstos. "Só a obstinação do Governo e da anterior maioria na Câmara Municipal justificou, contra tudo e contra todos, o arranque do projeto", criticou o PCP, sublinhando que a alteração da composição do executivo permite agora que a Câmara de Lisboa assuma "uma oposição ativa à concretização deste erro estratégico, procurando soluções que o evitem".

"Ainda vamos a tempo de corrigir"

Aprovada a moção do PCP, Carlos Moedas - que na campanha eleitoral se pronunciou contra a linha circular - defendeu que a votação, na reunião de ontem do executivo camarário, vem reforçar a oposição à solução preconizada pelos socialistas. Um "erro" e uma solução que "está longe de ser a melhor opção para a cidade" e que deve ser "seriamente ponderada". À Lusa, o presidente da Câmara ressalva, no entanto, que o objetivo não passa agora por alterar tudo de alto a baixo: "Não defendo que seja tudo mudado, que suspendam todas as obras que já estão em curso", referiu. Com as obras já no terreno, o autarca diz que "estamos no meio do caminho e é crucial resolver a questão dos problemas de transbordo no Campo Grande, que afeta milhares de pessoas que vivem em Odivelas e Telheiras e que, a manter esta linha circular, deixarão de ter acesso direto ao centro da cidade".

"Não podemos, não devemos manter uma opção de linha circular, que é algo que não é racional e não serve a população", insiste o líder camarário, voltando a defender a "opção em laço" - a "melhor solução e que é aplicada também noutras capitais". No programa eleitoral com que se apresentou às eleições, Moedas defende uma linha única, em "laço", por forma a manter as ligações diretas, sem necessidade de transbordo da linha amarela. "Ainda vamos a tempo de corrigir a situação", apela Moedas.

O ano passado, ainda sob a presidência de Fernando Medina, o executivo camarário aprovou uma moção (também da autoria do PCP), criticando o facto de o Governo não suspender a linha circular, como ficou inscrito no Orçamento do Estado. Esse texto foi então aprovado também com os votos a favor de PSD e CDS, além do Bloco e do próprio PCP, e o voto contra dos socialistas. Na altura, o próprio Presidente da República manifestou o entendimento de que se tratava apenas de uma recomendação da Assembleia da República. Logo depois, em maio, o Metropolitano de Lisboa assinou o contrato para a primeira empreitada do plano de expansão da rede, que prevê a abertura de duas novas estações, na Estrela e em Santos. Posteriormente, será feita a ligação entre a estação de Santos e o Cais Sodré e, na última fase, serão construídos os viadutos na zona do Campo Grande, com a ampliação da estação.

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