Construção dos túneis do Plano de Drenagem de Lisboa arranca esta segunda-feira

Esta será a maior obra municipal na cidade e tem um custo de 250 milhões de euros. Os dois túneis devem estar prontos no início de 2025. Moedas fala num "legado" do seu executivo.

Ana Meireles
Carlos Moedas esteve no Porto de Lisboa para a chegada da tuneladora H2OLi.© Câmara de Lisboa

A Câmara de Lisboa assinala esta segunda-feira o início formal da construção dos dois túneis do Plano Geral de Drenagem de Lisboa, cujo custo total será de 250 milhões de euros, dos quais 133 milhões são apenas para os túneis. Esta é já considerada a maior obra municipal de sempre na cidade e tem como objetivo "controlar as águas pluviais" e dessa forma "reduzir os riscos de cheias e inundações" em Lisboa, "mitigando os previsíveis efeitos das alterações climáticas, ao mesmo tempo que permitirá a reutilização das águas pluviais para rega de espaços verdes, reforço das redes de incêndio e lavagem de ruas", explicou a autarquia. A construção dos túneis deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2025.

Para Carlos Moedas esta "obra invisível" será "um legado" que o seu executivo deixará a Lisboa, pois será a maior obra do mandato, tendo obrigado a autarquia a recorrer ao Banco Europeu de Investimento (BEI) que empresta cerca 50% dos 250 milhões que a câmara vai gastar neste projeto.

Até ao momento, no âmbito do Plano de Drenagem de Lisboa, já foram construídas as bacias de retenção da Ameixoeira (2018), Alto da Ajuda (2019) e Parque Eduardo VII (2021), bem como o microtúnel e cinco descarregadores no Parque das Nações e na avenida Infante D. Henrique (2020). Foi também feito um levantamento do cadastro da rede de saneamento. No total, nestas empreitadas foram investidos 8,4 milhões de euros.

O passo seguinte, que agora começa, é a construção dos dois túneis: o primeiro irá ligar Monsanto a Santa Apolónia, com cerca de cinco quilómetros de extensão, enquanto que o segundo terá cerca de um quilómetro e ligará Chelas ao Beato. Estes túneis terão 5,5 metros de diâmetro e desenvolvem-se a uma profundidade média de 30 a 40 metros. "Estes túneis irão captar a água recolhida nos dois pontos altos (Monsanto e Chelas), bem como em pontos adicionais de captação, ao longo do seu percurso, nomeadamente na avenida da Liberdade, Santa Marta e avenida Almirante Reis, conduzido todo esse volume de água ao rio (Santa Apolónia e Beato)", pode ler-se no Plano Geral de Drenagem de Lisboa 2016-2030.

As obras vão começar de imediato em Campolide (até abril de 2025), entre outubro e novembro em Santa Apolónia (até março de 2025) e no Beato (até abril de 2025). Até dezembro arrancam na avenida Almirante Reis/rua Antero de Quental (setembro de 2024) e Chelas (abril de 2025), já em fevereiro de 2023 será na avenida da Liberdade (até agosto de 2024) e rua de Santa Marta/rua Barata Salgueiro (até agosto de 2024).

A construção dos dois túneis será feita com uma tuneladora com 130 metros, a H2OLi, que chegou a Lisboa no dia 12 de setembro depois de uma viagem de dois meses e meio de barco desde a China.

"Dada a complexidade, extensão e natureza da obra, foram garantidas as condições possíveis em termos de condicionamentos, mantendo circuitos pedonais, acessibilidades, mobilidade suave, assim como foram atenuados os impactos no trânsito da cidade, em particular garantindo condições de operação aos transportes públicos (em estreita ligação com a Carris), corredores de emergência e de socorro (em estreita articulação com a Polícia Municipal)", assegurou recentemente a autarquia lisboeta.

Relativamente aos moradores, a câmara tentou reduzir "ao mínimo possível" a retirada de lugares de estacionamento. Quanto aos comerciantes das zonas afetadas, estão a ser estudados mecanismos de compensação que poderão passar pela "isenção de taxas de ocupação de via pública, isenções de outras taxas municipais e mecanismos indemnizatórios por comprovada perda de receitas diretamente associada à presença do estaleiro".

ana.meireles@dn.pt