Num discurso emocionado no Parlamento Europeu, Yulia Navalnaya, viúva do opositor russo Alexei Navalny, recordou esta quarta-feira o marido e voltou a frisar que Vladimir Putin é o responsável pela sua morte, a 16 de fevereiro numa prisão no Ártico, onde cumpria uma pena de 19 anos. "Putin matou o meu marido", começou por afirmar, perante os eurodeputados..No dia em que foi revelado que o funeral de Navalny irá realizar-se na sexta-feira, Yulia Navalnaya disse que o marido "foi torturado durante três anos", passou fome, esteve numa pequena cela, "isolado do mundo exterior", tendo-lhe sido negado o direito a receber visitas, telefonemas e cartas. .Durante o discurso, em Estrasburgo, França, Yulia Navalnaya afirmou que Vladimir Putin não pode ser derrotado através de sanções, que é necessário inovar para derrubar o regime do presidente russo. Pediu à União Europeia mais do que "declarações de preocupação"..“Não estamos a lidar com um político, mas com um monstro”, declarou sobre o Putin, considerando que se trata do líder de "uma organização criminosa". Visivelmente consternada, relatou que a organização "inclui envenenadores e assassinos, que são apenas fantoches" dos oligarcas que apoiam Vladimir Putin..Yulia Navalnaya referiu que "há dezenas de milhões de russos que são contra a guerra" na Ucrânia, "contra Putin, contra o mal que ele traz". Defendeu que o presidente russo deve responder pela invasão ao país vizinho, assim como pela morte do marido. .Dirigindo-se aos eurodeputado, afirmou: "Muitos de vocês têm eleições este ano, vão fazer campanha, vão ser entrevistados, divulgar propaganda. Agora imaginem que não podiam fazer isso, que ninguém podia entrevistar-vos, que seriam detidos apenas por estarem a fazer a vossa campanha... Bem-vindos à Rússia de Putin"..Também esta quarta-feira a porta-voz do opositor russo informou que o funeral de Navalny irá realizar-se esta sexta-feira, em Moscovo.."Hoje, o meu marido está morto. Pensei que em 12 dias, desde o homicídio do Alexei, estaria pronta para fazer este discurso, mas passei esse tempo a tentar recuperar o corpo dele, a preparar as cerimónias fúnebres, a procurar um cemitério. O funeral vai ser daqui a dois dias e ainda não sei como vai ser a cerimónia, não sei se a polícia vai aproveitar para prender aqueles que querem homenageá-lo", lamentou Yulia Navalnaya, que, no final da sua intervenção, foi aplaudida de pé pelos eurodeputados. .Com Lusa.Em atualização