Stoltenberg defende ataques a alvos militares face ao avanço russo em Kharkiv

Stoltenberg defende ataques a alvos militares face ao avanço russo em Kharkiv

A entrevista do secretário-geral da NATO surge no dia em que os ministros das Finanças do G7 garantiram estar "determinados em aumentar as sanções financeiras e económicas" contra a Rússia.
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O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, defendeu este sábado ataques ucranianos a alvos em território russo desde que sejam de natureza militar, no âmbito das operações de defesa contra a Rússia na linha da frente na região de Kharkiv (norte).

Numa entrevista ao The Economist, Stoltenberg fez uma referência velada aos Estados Unidos, que proibiram Kiev de utilizar as suas armas para atacar posições dentro da Rússia, e defendeu que “talvez seja altura de alguns aliados considerarem a possibilidade de levantar este tipo de restrições à utilização das armas que enviam para a Ucrânia”.

“Neste momento, com todos os combates a decorrer em Kharkiv, tão perto da fronteira, é muito difícil para os ucranianos verem negada a capacidade de se defenderem com ataques em território russo”, acrescentou o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

Stoltenberg aproveitou a entrevista para desvalorizar os avanços russos nas últimas semanas na região, um dos desenvolvimentos mais significativos do lado de Moscovo desde o início do conflito.

“Penso que os russos vão continuar a progredir, mas trata-se de vitórias marginais pelas quais estão dispostos a pagar um preço muito elevado”, afirmou.

No entanto, Stoltenberg reconheceu que a Ucrânia “está a passar um mau bocado” e apelou aos países membros da NATO para que cumpram as suas promessas de armamento.

“Os aliados europeus prometeram a Kiev um milhão de projéteis de artilharia” e "até agora não vimos nada que se aproxime remotamente disso”, avisou.

A entrevista surge no dia em que os ministros das Finanças do G7 garantiram estar "determinados em aumentar as sanções financeiras e económicas" contra a Rússia.

Na sua reunião em Itália, o G7 (grupo dos países mais industrializados do mundo) decidiu colocar o foco nas receitas energéticas da Rússia e nas suas capacidades de extração, segundo um documento a que a Agência France Presse (AFP) teve acesso.

A união Europeia (UE) já lançou 13 pacotes de sanções contra a Rússia.

Em marcha está um novo pacote que irá visar o gás natural liquefeito (GNL), proibindo a sua transferência, via UE, para países terceiros.

De acordo com o mesmo documento, os ministros das Finanças do G7 concordaram ainda em opor-se às tentativas de fugir ou contornar as sanções.

Os ministros assinalaram ainda progressos nas conversações sobre o uso de ativos russos para ajudar a Ucrânia.

"Estamos a fazer progressos nas nossas discussões sobre possíveis formas de antecipar benefícios extraordinários dos ativos soberanos russos" para ajudar Kiev, "de acordo com o direito internacional e os nossos respetivos sistemas jurídicos", apontou o G7, num documento a que a Agência France Presse (AFP) teve acesso.

O objetivo passa por apresentar opções para fornecer apoio financeiro adicional à Ucrânia antes da cimeira de junho.

O exército ucraniano reivindicou este sábado que a Rússia perdeu mais de meio milhão de soldados entre mortos e feridos desde que invadiu a Ucrânia há 27 meses.

Nas últimas 24 horas, segundo a versão ucraniana, 1.140 soldados russos foram mortos ou feridos, elevando o número total para 500.080, dados que não são possíveis confirmar de forma independente.

O número está próximo do total de soldados russos que combatem atualmente na Ucrânia, estimado no início de maio pelo comando militar ucraniano e por analistas em mais de meio milhão.

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