A Lancaster House foi o local em que, em 1979, foi assinado o acordo que pôs termo à guerra civil na então Rodésia, abrindo caminho para eleições com a participação da maioria da população e a base para a independência do Zimbabué. Desconhece-se se a vitória diplomática de Margaret Thatcher num palácio londrino de uma família nobre com ligações à história de Portugal - Lencastre - serviu para escolher o local do encontro de 19 dirigentes para reafirmar o apoio à Ucrânia. Certo é que foi o momento em que o primeiro-ministro britânico, reconhecendo que o Ocidente se encontra numa encruzilhada, agarrou o momento turbulento criado na Casa Branca a Volodymyr Zelensky e afirmou que cabe ao Reino Unido liderar o apoio à Ucrânia. Para isso vale-se de um plano a congeminar com a França e outros países, apoiado por uma “coligação de voluntários” e, espera, obter o apoio dos EUA. Um país que, segundo o Kremlin, está cada vez mais alinhado com a Rússia, segundo afirmou o porta-voz Dmitri Peskov. O líder britânico, que na véspera do embaraço diplomático entre o presidente e vice-presidente dos EUA e o líder da Ucrânia saiu da Casa Branca satisfeito com o resultado do encontro, foi chamado a uma delicada operação diplomática para que as relações entre Kiev e Washington não fiquem sem reparação. .“Estamos hoje numa encruzilhada da história. Este não é um momento para mais conversa. É tempo de agir e de nos unirmos em torno de um novo plano para uma paz justa e duradoura.”Keir Starmer.Depois de na véspera ter recebido Zelensky em Downing Street, foi a vez de o encontro programado há uns dias entre ambos e Emmanuel Macron - que sugeriu uma trégua de um mês, segundo revelou ao Le Figaro - se transformar num momento com outra relevância. Não só para convocar líderes ocidentais em apoio da Ucrânia, como aconteceu em Kiev no dia 24, mas para enviar uma outra mensagem: a Europa está pronta para liderar o processo para que o país invadido esteja na melhor posição para chegar à mesa de negociações; e também de contribuir para que um acordo de paz não caia em saco roto. Os passos em que os líderes presentes concordaram foi em manter a ajuda a Kiev e a pressão económica sobre a Rússia; garantir que a Ucrânia está à mesa das negociações e que qualquer acordo de paz deve assegurar a sua soberania e segurança; continuar a armar a Ucrânia para impedir futuras invasões; e desenvolver uma “coligação de voluntários” para defender a Ucrânia e garantir a paz. “Nem todas as nações se sentirão capazes de contribuir, mas isso não pode significar que fiquemos de braços cruzados”, afirmou. “Em vez disso, aqueles que estão dispostos a contribuir intensificarão o planeamento com verdadeira urgência. O Reino Unido está preparado para o apoiar com botas no terreno e aviões no ar, juntamente com outros”, declarou. .“É muito, muito importante que evitemos o risco de o Ocidente se dividir. Penso que o Reino Unido e a Itália têm um papel importante a desempenhar na construção de pontes.”Giorgia Meloni.Questionado mais tarde pelos jornalistas, o primeiro-ministro britânico disse que chegou a altura de o Reino Unido tomar as rédeas da situação. “Temos de fazê-lo”, disse, embora em coligação com a França e outros países que não detalhou e, no final de contas, “para haver acordo tem de haver uma garantia de segurança” dos EUA. “Não podemos abordar isto na base de ser a Rússia a ditar os termos sobre as garantias” , foi outro ponto a relevar da intervenção de Starmer. O britânico anunciou também um acordo para fornecer 5 mil mísseis para a Ucrânia, um negócio de 1,6 mil milhões de libras (1,9 mil milhões de euros) a desenvolver numa fábrica em Belfast (Irlanda do Norte) e criar 200 postos de trabalho. Na véspera, o líder trabalhista havia anunciado um empréstimo de 2,2 mil milhões de libras a Kiev com fundos dos lucros dos ativos russos congelados.. Depois de ter sido recebido pelo rei Carlos III, o presidente ucraniano disse que o seu país sentiu um forte apoio na cimeira, a um “nível extremamente elevado, como não se via há muito tempo”, disse numa mensagem no Telegram. “Estamos todos a trabalhar em conjunto na Europa para encontrar uma base de cooperação com os Estados Unidos para uma verdadeira paz e uma segurança garantida”, acrescentou..Plano para Nord Stream 2 Segundo o Financial Times, está em curso um plano para ressuscitar o acordo para o gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha e está inoperacional desde uma ação de sabotagem em 2022. O projeto passa pelo diretor da empresa Matthias Warnig - amigo de Putin desde o tempo em que ambos eram espiões - estabelecer contactos com a Casa Branca, através de investidores norte-americanos. Kiev condena Rússia O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia condenou a rotação de peritos da Agência Internacional de Energia Atómica na central nuclear de Zaporijia através do território ocupado pela Rússia, considerando-a uma violação da soberania e da integridade territorial da Ucrânia. Kiev acusou a Rússia de obrigar os funcionários da AIEA a permanecerem durante 80 dias, excedendo o período de rotação previsto, e sujeitando-os a pressão psicológica numa zona de alto risco. A declaração acrescentou que Moscovo privou os peritos internacionais de liberdade de circulação e utilizou-os como instrumento político.Musk: EUA fora da NATOO bilionário sul-africano Elon Musk, responsável pelo corte em curso a todos os níveis do governo federal dos EUA, concordou que o país onde vive deve retirar-se da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).Protestos contra Vance O fim de semana na neve do vice-presidente dos EUA JD Vance e família ficou marcado pelos protestos de centenas de pessoas na estância de esqui de Sugarbush, Vermont, com cartazes de apoio à Ucrânia e críticos do vice. “Vance é um traidor. Vai esquiar para a Rússia”, lia-se num cartaz. Segundo o Daily Beast, o número dois de Trump foi “transferido para um local não revelado”.