A Rússia está a tentar chegar a um acordo de normalização com os Estados Unidos acenando com os seus recursos naturais, enquanto procede a um “teatro de negociações” com a Ucrânia. Quem o afirma são cinco chefes de serviços secretos de países europeus à agência Reuters, depois de uma ronda de negociações em Genebra que se saldaram com o líder ucraniano a acusar o lado russo de “táticas de adiamento”.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que as negociações mediadas pelo seu país tinham aproximado a perspetiva de um acordo de paz de forma “razoavelmente próxima”. No entanto, os responsáveis de cinco serviços de informações europeus, que falaram sob condição de anonimato, disseram estar pessimistas quanto às hipóteses de se alcançar um acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia durante este ano. “A Rússia não procura um acordo de paz. Procura alcançar os seus objetivos estratégicos, e esses não mudaram”, afirmou um dos cinco homens ouvidos pela Reuters. Entre esses objetivos estão a remoção do líder ucraniano Volodymyr Zelensky e a transformação da Ucrânia numa zona tampão neutra. Em paralelo, o regime de Vladimir Putin pretende chegar a acordo com os norte-americanos para que estes ponham termo ao seu relativo isolamento da economia mundial. São muitos os sinais de que a economia russa, apesar da transformação que operou para uma economia de guerra, está em dificuldades. Mas neste ponto não há consenso entre as chefias da espionagem. Um deles afirma que a Rússia não quer a paz para já porque a economia “não está à beira do colapso”. Mas outro diz que Moscovo enfrenta riscos financeiros “muito elevados” na segunda metade do ano, devido ao acesso limitado aos mercados de capitais e aos elevados custos dos empréstimos. Ao que se soma o fim das compras de petróleo por parte da Índia: o défice russo pode triplicar em 2026 devido à falta de rendimentos da exportação de hidrocarbonetos. Alguns analistas preveem que o país pode entrar em recessão. .Ucrânia e Rússia derrubam centenas de drones no meio das negociações.Na quarta-feira, como que a comprovar as advertências dos serviços de informações europeus, o responsável pelo fundo soberano russo publicou no X que o “portefólio de potenciais projetos EUA-Rússia ultrapassa os 14 biliões de dólares”. Kirill Dmitriev reuniu-se pela nona vez com Steve Witkoff e Jared Kushner, o amigo e o genro de Trump, respetivamente.Dmitriev terá acenado com a abertura da exploração do subsolo russo às empresas norte-americanas, seja gás, petróleo, lítio, níquel, cobre ou titânio, seja os recursos do Ártico. Foi Zelensky quem revelou, há duas semanas, o que chamou de “pacote Dmitriev”, informação que obteve dos seus serviços secretos.