O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá (UTJ) anunciou a sua saída da coligação que apoia o governo israelita devido a uma disputa sobre o serviço militar obrigatório, deixando assim Benjamin Netanyahu com uma curta maioria de 61 deputados em 120 no Parlamento.Seis deputados do UTJ entregaram a demissão dos seus cargos em comités parlamentares e ministérios como forma de protesto contra o falhanço em garantir a isenção futura do recrutamento militar para estudantes religiosos ultraortodoxos. O sétimo eleito do partido, precisamente o seu líder, Yitzhak Goldknopf, já se tinha demitido há um mês.De acordo com a Reuters, estes parlamentares anunciaram que as suas demissões entrarão em vigor num prazo de 48 horas, o que dá dois dias a Benjamin Netanyahu para tentar resolver mais esta crise na sua coligação governamental. A favor do primeiro-ministro israelita está ainda o facto de o Parlamento entrar em férias no final do mês, o que lhe dará mais tempo para procurar uma solução que lhe permita continuar no poder. O ministro da Cultura e Desporto, Miki Zohar declarou esta terça-feira, 15 de julho, à AP estar esperançado que o Judaísmo Unido da Torá possa ser persuadido a regressar à coligação. “Se Deus quiser, tudo ficará bem”, disse.Ao mesmo tempo, esta curta maioria que ainda detém no Parlamento poderá mesmo desaparecer, já que o Shas, um segundo partido ultraortodoxo, pode seguir o exemplo do UTJ e deixar cair o seu apoio ao governo. De recordar que o Shas, com os seus onze deputados, é a segunda maior força que sustenta o governo de Netanyahu, a seguir ao Likud (32 eleitos) do primeiro-ministro.As causas desta crise não são novas, mas ganharam novos contornos desde a guerra iniciada na sequência do ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023 e que já levou à morte de cerca de 450 soldados israelitas, o que veio aumentar a pressão no debate sobre um novo projeto de lei de recrutamento militar face à indignação de muitos israelitas que consideram injusta a exceção que os estudantes ultraortodoxos gozam.Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça israelita ordenou ao Ministério da Defesa que acabasse com os regimes de exceção e que os judeus ultraortodoxos deveriam passar a ser recrutados para cumprir o serviço militar, o que não foi bem recebido pelo UTJ e o Shas, aliados de Netanyahu. Desde então, o Parlamento israelita tem vindo a tentar elaborar um novo projeto de lei sobre o recrutamento, mas sem conseguir cumprir as exigências do UTJ, o que levou agora ao seu abandono da coligação governamental. .Tribunal israelita aceita adiar julgamento de Netanyahu devido à guerra