Pelo menos 31 mortos na pior tragédia com migrantes no Canal da Mancha

Pelo menos 31 migrantes morreram esta quarta-feira (24 de novembro) a fazer a travessia entre França e Inglaterra quando o barco onde seguiam afundou no porto de Calais.

Segundo as autoridades francesas, este é o desastre mais mortal desde que a rota marítima começou a ser amplamente utilizada em 2018.

O Ministro do Interior francês disse, através de um comunicado, que os navios de patrulha encontraram cadáveres e pessoas inconscientes na água depois de terem sido avisados por um pescador. A polícia francesa adiantou mais tarde que na embarcação estavam presentes, pelo menos 50 pessoas.

Três helicópteros e três embarcações participaram nas buscas, segundo dados avançados pelas autoridades locais. O desastre - pior em número de vidas perdias pelo menos desde 2018 quando o canal começou a ser utilizado pelos migrantes - acentua as tensões crescentes entre Paris e Londres sobre os problemas no Canal.

Reunião de Crise em Londres

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, convocou altos funcionários para uma reunião de crise mal se soube da tragédia sucedida.

Mais de 25.700 pessoas fizeram a viagem através do Canal da Mancha em pequenos barcos este ano - três vezes o total para todo o ano de 2020, de acordo com dados compilados pela agência noticiosa britânica PA.

O número crescente de pessoas que vão chegando ao à Grã-Bretanha, embora com números mais baixos do que registam os seus países vizinhos, colocaram o governo de Boris Johnson e o seu Ministro do Interior, Priti Patel, sobre pressão.

"Retomar o controlo" e garantir a inviolabilidade das fronteiras da Grã-Bretanha foi uma das maiores bandeiras eleitorais do Primeiro-ministro britânico aquando da campanha a favor do Brexit.

Um "cemitério"

Pierre Roques, coordenador da ONG Auberge des Migrants em Calais, disse que o Canal arrisca tornar-se tão mortal para os migrantes como o Mediterrâneo, que já lida com a crise migratória há bastante tempo.

"As pessoas estão a morrer no Canal, que se está a tornar num cemitério. O objetivo de chegar a Inglaterra está ali tão perto que as pessoas não vão deixar de fazer a travessia arriscada.

A polícia francesa informou que esta semana deteve 15 supostos membros de uma organização internacional de contrabando que facilitam a travessia ilegal pelo Canal para a Grã-Bretanha.

A rede de curdos iraquianos, romenos, paquistaneses e vietnamitas ajuda, pelo menos, 250 pessoas por mês a fazer a travessia, com o mínimo de 60 pessoas por embarcação sem qualquer tipo de segurança.

A passagem para a Inglaterra custa 6 mil euros por pessoa e os contrabandistas apreendidos arrecadaram no total, pelo menos 3 milhões de euros.

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