ONG acusa forças russas da morte de quase um centena de civis em Chernigov

O exército russo iniciou a campanha aérea contra Chernigov no primeiro dia da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, e efetuou a maior parte dos bombardeamentos entre 3 e 17 de março, período investigado pela "Human Rights Watch".

A Organização Não-Governamental (ONG) "Human Rights Watch" acusou as forças russas da morte de quase uma centena de civis nas duas semanas de bombardeamentos ocorridos em março na cidade ucraniana de Chernigov, noticiou esta sexta-feira a Europa Press.

Segundo a mesma ONG, a campanha russa de ataques aéreos configurou uma violação flagrante das leis da guerra por uso de munições de fragmentação e por atingir hospitais.

O exército russo iniciou a campanha aérea contra Chernigov no primeiro dia da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, e efetuou a maior parte dos bombardeamentos entre 3 e 17 de março, período investigado pela "Human Rights Watch".

Após mais de um mês, a Rússia começou a levantar o cerco em 31 de março, quando o Estado-Maior anunciou uma mudança nas operações militares para concentrar o seu poder ofensivo no leste do país, em vez das áreas próximas da capital, Kiev.

A ONG compilou toda a informação disponível sobre as duas semanas de auge dos ataques, denunciando um total de 98 mortos e 123 feridos em oito ataques confirmados a partir das fontes a que teve acesso: mais de 20 de testemunhas, responsáveis de emergência locais, bem como a administração regional de Chernigov e o Ministério Público local.

A "Human Rights Watch" teve também teve acesso a imagens de satélite dos locais bombardeados em Chernigov.

A ONG assinala contudo o facto de as forças de defesa ucranianas terem arriscado, "muito provavelmente", a vida de civis em cinco desses ataques, ao instalarem um posto de controlo próximo de um hospital local.

"O fracasso das forças ucranianas em remover civis provavelmente aumentou o número de vítimas, mas as forças russas devem distinguir entre civis e combatentes", disse o investigador principal daquela ONG, Belkis Wille.

Insistindo que os ataques russos "foram desproporcionais", aquele responsável sustentou que a Rússia agiu "sem respeito pela vida dos civis".

O ataque mais letal ocorreu em 3 de março, quando um bombardeiro russo atingiu um complexo de apartamentos, matando 47 civis, segundo a ONG.

Outro ataque importante ocorreu em 17 de março contra um complexo médico composto por dois hospitais, que causou a morte de 14 civis e ferimentos em 21 pessoas.

Este último ataque foi realizado com munições proibidas pelo direito internacional devido ao seu alcance indiscriminado.

"Os ataques russos a Chernigov demonstram o impacto devastador que os civis sofrem quando as forças em conflito usam material explosivo de longo alcance em áreas povoadas, provocando um aumento de ataques desproporcionais e provavelmente ilegais", concluiu a ONG.

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