Israel tem prosseguido os seus ataques na região de Beirute.
Israel tem prosseguido os seus ataques na região de Beirute.EPA/STRINGER

Netanyahu acusa Hezbollah de tentativa de assassinato e diz que guerra continua

Casa do primeiro-ministro em Cesareia foi alvo de um drone enviado pelo movimento xiita libanês, informou o governo. Telavive diz ter destruído centro de comando do grupo xiita no sul do Líbano.
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Benjamin Netanyahu afirmou este sábado que “a tentativa do Hezbollah, representante do Irão, de assassinar-me a mim e à minha mulher hoje foi um erro grave”. Declarações tornadas públicas na conta do primeiro-ministro israelita na rede social X horas depois de o seu gabinete ter anunciado que um drone lançado pelo Hezbollah a partir do Líbano e que explodiu na cidade de Cesareia durante a manhã teve como alvo a casa particular de Netanyahu. O casal não estava em casa e não há registo de feridos. 

“Isto não impedirá a mim ou ao Estado de Israel de continuar a nossa guerra justa contra os nossos inimigos, a fim de garantir o nosso futuro”, prosseguiu Netanyahu na sua mensagem.

Dirigindo-se “ao Irão e aos seus representantes no seu eixo do mal”, o primeiro-ministro israelita avisou ainda que “qualquer pessoa que tente prejudicar os cidadãos de Israel pagará um preço elevado”, garantindo que “continuaremos a eliminar os terroristas e aqueles que os apoiam, traremos os nossos reféns de Gaza para casa e devolveremos os nossos cidadãos que vivem na nossa fronteira norte em segurança às suas casas”. 

“Israel está determinado a alcançar todos os nossos objetivos de guerra e a mudar a realidade de segurança na nossa região para as gerações vindouras. Juntos, vamos lutar, e com a ajuda de Deus, juntos, venceremos”, concluiu Netanyahu. 

Este sábado, o exército israelita afirmou ter destruído o centro de comando do Hezbollah no sul do Líbano, na sua operação mais extensa desde o início da invasão terrestre, na madrugada de 1 de outubro. Segundo um comunicado militar, as tropas da 98.ª Divisão invadiram o quartel-general da milícia xiita e um posto de observação de onde os membros do Hezbollah monitorizavam as cidades israelitas perto da fronteira. Os soldados israelitas dizem ter encontrado engenhos explosivos, armas e material de informação no centro de comando.

Num outro comunicado, as Forças e Defesa de Israel (IDF) garantiram ter destruído a rede de túneis da força Radwan, unidade de elite do Hezbollah, no Líbano. “As tropas destruíram todas as rotas dos túneis com mais de 100 toneladas de material explosivo. As rotas destruídas incluíam um centro de comando subterrâneo da força Radwan do Hezbollah, que incluía uma área para armazenamento de armas”, pode ler-se no documento. 

As IDF revelaram ainda que mataram Naser Abed al Aziz Rahid, um comandante do Hezbollah ligado à zona de Bint Jbeil, no sul do Líbano.

O grupo libanês, por seu turno, reivindicou ao longo de sábado a responsabilidade por alguns dos projéteis disparados contra o território israelita, justificando-o, em comunicado, “em apoio” ao “inabalável povo palestiniano na Faixa de Gaza e em apoio à sua corajosa e honrada resistência e em defesa do Líbano e do seu povo”.

O Ministério da Saúde Pública libanês informou este sábado que, desde no último ano, os ataques israelitas no Líbano mataram mais de 2400 pessoas e feriram mais de 11000, a grande maioria nas últimas três semanas.

O último balanço da Organização Internacional para as Migrações, conhecido este sábado e com dados até quinta-feira, refere que a ofensiva israelita no Líbano já afetou um total de 1,2 milhões de pessoas, das quais 779613 ficaram deslocadas, 55698 delas só na última semana.

Já a a agência das Nações Unidas para os refugiados afirmou que desde outubro do ano passado, com a eclosão da guerra em Gaza, existem agora 50000 refugiados em situação de deslocados secundários, a grande maioria deles sírios.

ana.meireles@dn.pt

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