São 14 republicanos, três democratas e um independente os candidatos ao lugar na Câmara dos Representantes deixado vago por Marjorie Taylor Greene em janeiro, depois de se ter demitido em novembro, após ter encontrado em rota de colisão com Donald Trump. No passado dia 4 de fevereiro, o presidente declarou o seu apoio a Clay Fuller, antigo procurador-geral local, apelidando-o de porta-estandarte do movimento MAGA - Make America Great Again, esperando desimpedir o campo republicano na corrida ao 14.º distrito congressional da Geórgia, marcada para 10 de março. Mas não foi suficiente para convencer os seus rivais a desistir , transformando este canto profundamente conservador da Geórgia num teste eleitoral ao domínio de Trump sobre a sua base eleitoral.Neste vasto campo republicanos, são vários os candidatos que se apresentam como os verdadeiros defensores do populismo de direita encarnado por Trump, na esperança de que essa imagem convença os eleitores do distrito representado até janeiro por Taylor Greene. A congressista foi durante muito tempo uma das maiores apoiantes do presidente republicano e figura da direita radical americana, mas acabou por renunciar ao cargo no Congresso, após uma amarga separação com o presidente. Primeiro os dois entraram em choque por causa da guerra em Gaza. No final de julho, Taylor Greene foi a primeira republicana no Congresso a classificar como “genocídio” o que estava a acontecer na Faixa de Gaza, tendo-se, um mês mais tarde, mostrado alinhada com a posição do senador e antigo candidato presidencial democrata Bernie Sanders quanto à política da Casa Branca neste conflito, afirmando que toda a ajuda dos EUA a Israel “significa que todos os contribuintes americanos estão a contribuir para as ações militares de Israel”. “Eu não quero pagar por um genocídio num país estrangeiro contra um povo estrangeiro por uma guerra estrangeira com a qual não tive nada a ver”, concluiu.A então congressista também não poupou críticas à gestão do caso Epstein pelo presidente americano. “Defender as mulheres americanas que foram violadas aos 14 anos, vítimas de tráfico e exploradas por homens ricos e poderosos não deveria expor-me a ser chamada de traidora e ameaçada pelo presidente dos Estados Unidos, pelo qual lutei”, afirmava Taylor Greene no comunicado na rede social X em que anunciava a sua demissão. As críticas de Taylor Greene à sua gestão do caso Epstein, financeiro nova-iorquino que morreu na prisão em 2019, antes do julgamento por crimes sexuais, foi a gota de água que levou Trump a romper com a eleita da Geórgia, passando a chamar-lhe “Marjorie ‘A Traidora’ Greene” e “Maggie ‘a Louca’”.O 14.º distrito congressional da Geórgia, um corredor predominantemente operário que vai desde os subúrbios de Atlanta até à fronteira com o Tennessee, consolidou-se como um reduto do MAGA desde que Greene conquistou a vitória em 2020.A disputa entre republicanos naquele distrito pelo lugar de candidato MAGA, mesmo depois de Trump ter apoiado um deles, é um bom exemplo de como o movimento se tornou cada vez menos homogéneo. E essas divisões representam um risco para os republicanos que pretendem manter o controlo em ambas as câmaras do Congresso nas eleições intercalares de novembro. Com mais de uma dúzia de candidatos a dividirem o voto republicano, os analistas admitem que Shawn Harris, o favorito no campo democrata, possa conseguir apoio suficiente para chegar a uma segunda volta, marcada para 7 de abril, caso nenhum candidato obtenha a maioria a 10 de março. Derrotado por Taylor Greene em 2024 por 64,4% a 35,6%, Harris espera conseguir dar continuidade a uma série de bons resultados democratas em eleições especiais. Mas pouco acreditam que possa mesmo vencer..Rebelião populista” de Marjorie Taylor Greene continua e já preocupa Trump.Obama lamenta "palhaçada" e falta de "vergonha" em resposta a vídeo racista partilhado por Trump