Morreu Leila Shahid, antiga representante palestiniana na Europa. Tinha 76 anos
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Morreu Leila Shahid, antiga representante palestiniana na Europa. Tinha 76 anos

O seu corpo foi encontrado numa aldeia francesa e foi aberto um inquérito para apurar as causas da morte.
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A antiga representante da Palestina na França e junto da União Europeia (UE), Leila Shahid, morreu esta quarta-feira, 18 de fevereiro, aos 76 anos, disse a sua irmã à AFP.

O seu corpo foi encontrado na aldeia de La Lèque, onde vivia, na comuna de Lussan, do sul do país.

Foi aberto um inquérito para "apurar as causas da morte", indicou uma fonte à AFP, acrescentando que os primeiros elementos apontavam para a pista de suicídio.

Segundo o Le Monde, Leila Shahid estava gravemente doente desde há alguns anos.

Envolvida na política desde os seus 18 anos, esta próxima de Yasser Arafat foi a primeira mulher a representar a Organização de Libertação da Palestina (OLP) no estrangeiro, a partir de 1989 na Irlanda, depois nos Países Baixos e na Dinamarca.

Depois foi delegada geral da Autoridade Palestiniana em França, entre 1994 e 2005, antes de ocupar as mesmas funções em Bruxelas, junto da UE, na década seguinte.

"Ela é a Palestina incarnada no mundo francófono", resumiu o representante adjunto da Palestina na Organização das Nações Unidas, Majed Bamya, evocando uma personalidade "tão universal e tão palestiniana".

E acrescentou: "A sua voz confundia-se com a do seu povo. Uma voz pela justiça, pela liberdade, pela paz. Permaneceu militante enquanto diplomata, sem nunca renunciar ou renegar o que quer que de fosse da verdade".

Várias personalidades políticas francesas de esquerda saudaram a sua memória, como Martine Aubry, antiga ministra socialista, que evocou uma "militante incansável pelo reconhecimento de um Estado palestiniano e pela paz com Israel".

Para o Instituto do Mundo Árabe (IMA), "Leila Shahid foi uma dessas diplomatas exemplares que marcam uma geração: combatente infatigável, heroína dos tempos modernos, ela transportava a Palestina com força a dignidade".

O IMA, no comunicado que emitiu, acrescentou que "o desastre dos sofrimentos do povo palestiniano em Gaza perturbou-a até ao seu fim trágico".

Perante a carnificina na Faixa de Gaza, Leila Shahid não parou de apelar à ação da comunidade internacional, com vista à instauração de um cessar-fogo.

Karim Amellal, antigo delegado interministerial para o Mediterrâneo (2020-2025), homenageou-a nas redes sociais: "Ela permitiu-me reunir com Yasser e abrir as portas de uma época de esperança, a dos Acordos de Oslo. Uma época infelizmente já passada".

Leila Shahid nasceu em 1949, em Beirute, em uma família de notáveis de Jerusalem, alguns meses depois da 'Nakba' (Catástrofe, em Árabe), durante a qual 760 mil palestinianos foram expulsos durante a criação do Estado de Israel.

Casada com o escritor marroquino Mohamed Berrada, sem filhos, fez os estudos secundários no Líbano e depois uma licenciatura em Antropologia, na Universidade Americana da capital libenesa.

Em França, colaborou com intelectuais palestinianos exilados, na Revista de Estudos Palestinianos, e manteve ligações com pacifistas israelitas.

Durante uma entrevista à AFP, em 1993, disse viver "uma divisão permanente entre a pertença ao seu povo, a necessidade de lutar por ele (…) e o desejo de uma vida normal e serena".

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