Michelle Obama e o poder do exemplo na educação

A história de cada um é única, pessoal, mas cheia de lições que se podem transmitir. Esse é o lema do livro A Minha História, concebido por Michelle Obama, para reforçar a importância da autovalorização do indivíduo no processo de crescimento. A partir de 18 de abril, com o seu jornal.

Durante os oito anos em que foi a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama nunca deixou de nos surpreender. Foi três vezes capa da Vogue norte-americana, fez karaoke (de Stevie Wonder) no The Late Late Show, de James Corden, e até pôs um carinhoso braço nas costas da rainha de Inglaterra. Mas enganou-se quem considerou atitudes como estas apenas parte da estratégia mediática do casal Obama. Em 2017, liberta dos constrangimentos do autêntico escrutínio mundial a que o cargo do marido a sujeitava, Michelle não mais parou de intervir em prol de uma educação para a igualdade e para a cidadania responsável. A Minha História, o livro que, a partir de 18 de abril, poderá adquirir com o DN ou com o JN, é um bom exemplo dessa aposta na educação através do exemplo e da partilha de experiências.

Pensado como um diário, orientado para a autorreflexão, A Minha História parte da consciência de que a história de cada um de nós é pessoal, única, mas transmissível. "Se não consegue ver que a sua história tem importância", escreve Michelle Obama logo no princípio do livro, "é de esperar que mais ninguém consiga. Portanto, embora nem sempre seja fácil é vital que encontre a força para partilhar a sua verdade. É que o mundo precisa de a ouvir." Logo nas primeiras edições, a adesão foi imediata: A Minha História já vendeu, em todo o mundo, cerca de 10 milhões de exemplares.

O que torna tão apelativa e global a mensagem da ex-primeira-dama? Em primeiro lugar, a empatia com o seu semelhante. No documentário Becoming, de Nadia Hallgreen (disponível na Netflix), que acompanha a tournée de conferências de Michelle em vários pontos dos Estados Unidos, já livre dos constrangimentos de protocolo (inclusivamente em termos de styling), vemo-la sempre a olhar nos olhos os seus interlocutores, quase sempre mulheres de vidas difíceis, em busca de uma palavra de estímulo à mudança. "Nunca olhar à volta da pessoa ou para além dela", explica, acerca da arte da comunicação interpessoal. Mas o que passa sempre é a ideia da importância da valorização pessoal através da educação.

Numa entrevista à Vogue norte-americana, concedida já no final do segundo mandato do marido, Michelle dizia ao jornalista Jonathan Van Meter, tal como ela nascido na zona sul (menos favorecida) de Chicago: "Estou certa de que os seus pais também não foram procurados por colégios caros para que lá inscrevessem os filhos. Os meus também não. O que eu quero dizer é que não podemos ficar à espera de que os outros nos considerem especiais porque pode nunca acontecer." E continuava: "Os miúdos estão sempre a observar-nos. Como primeira-dama, fui confrontada com essa realidade todos os dias. As minhas palavras, os meus gestos, a minha roupa, tudo era dissecado pelas crianças." Autointitulando-se "mãe-em-chefe" (por contraponto à posição do marido de comandante-em-chefe das Forças Armadas enquanto presidente) de Sasha e Malia, dizia estar plenamente consciente de que esse escrutínio começava em casa: "São os exemplos que damos aos filhos, muito mais do que as palavras, que os levam a decidir os seus comportamentos e valores no futuro."

O poder inspirador de Michelle baseia-se no seu indiscutível carisma, mas também na sua própria história, que se faz de dificuldades e de superação das mesmas. Excelente aluna no secundário, poderia ter sido persuadida a "ser mais realista nos objetivos", como lhe recomendou a terapeuta vocacional da escola. Mas não se deu por vencida, foi para a Universidade de Princeton, cursou Direito, tornando-se, em poucos anos, uma advogada de sucesso. Na firma Sidley Austin, em Chicago, conheceria outro jovem com ambições e, como ela conta no documentário Becoming, "com um belo sorriso". Casaram-se em 1992 e tiveram duas filhas. Mas foram felizes para sempre? Também neste ponto, Michelle Obama se aproxima do comum dos mortais, demonstrando que, na vida real, tudo dá mais trabalho do que nas fotografias impressas em papel couché. Criada para a independência, ela admite que, em muitos momentos, teve medo de ser arrastada pela personalidade magnética e pelas ambições políticas do marido. "Não queria ser um apêndice dos sonhos dele", relembra no referido documentário. Do mesmo modo, nas suas memórias, Becoming, revela que ambos procuraram aconselhamento matrimonial em determinado momento da sua vida conjugal. O objetivo, explica, não é apelar ao voyeurismo dos leitores, mas mostrar que a vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas uma característica humana. Pedir ajuda, quando ela é necessária, pode ser um ato de coragem, frisa. A mesma coragem de que todos precisaram quando, numa só noite, passaram de família igual a tantas outras a residentes da Casa Branca. "Foi como se nos disparassem de canhão para um palco", recorda Michelle. "A nossa vida deixara de nos pertencer e assim foi nos oito anos seguintes."

Agora, enquanto figura pública, como antes enquanto mulher do presidente dos Estados Unidos, Michelle Obama insiste muito na atenção às crianças e adolescentes, com quem estabelece uma ligação invejável para a maior parte de nós. O seu desafio mais recente é a produção e a apresentação de uma série de dez episódios para a Netflix centrada na educação para a alimentação saudável, que tem como título Waffles+Mochi.

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