Medvedev vaticina futuro de Zelensky: ir a tribunal marcial ou voltar a ser ator

Ex-presidente russo não tem poupado ataques ao ucraniano. EUA alegam não ter dado armas que possam ter sido usadas contra base na Crimeia.

O ex-presidente russo Dmitry Medvedev vaticinou ontem apenas dois futuros para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky: "Ir a tribunal marcial ou regressar a papéis secundários em programas de comédia." As declarações do atual número dois do Conselho de Segurança Nacional da Rússia foram feitas numa entrevista a uma jornalista russa, depois de já ter comparado Zelensky ao líder nazi Adolf Hitler, por ter defendido que os países ocidentais deviam fechar as fronteiras aos cidadãos russos.

A República Checa, que está atualmente na presidência rotativa da União Europeia, disse ontem que a proibição de emissão de vistos a cidadãos russos pode fazer parte do próximo pacote de sanções à Rússia. "O congelamento total de vistos russos por todos os Estados-membros da União Europeia pode ser outra sanção muito eficaz", disse o chefe da diplomacia checo, Jan Lipavsky, lembrando que o seu país deixou de emitir estes vistos logo no dia seguinte à invasão da Ucrânia.

Crimeia

O Departamento de Defesa dos EUA revelou ontem que não foram usadas armas fornecidas pelos norte-americanos no ataque à base aérea russa na Crimeia, indicando não saber a causa das explosões no local. Kiev não reivindicou o ataque, mas também não o negou, tendo Moscovo alegado que foi um acidente causado por uma "detonação de munições". As autoridades da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, admitiram um morto nas explosões, mas os ucranianos alegam que 60 pilotos e técnicos terão morrido.

Contudo, imagens de satélite do local parecem sugerir que houve mesmo um ataque. "Não fornecemos nada que lhes permita atacar a Crimeia", disse um responsável do Departamento de Defesa aos jornalistas. E rejeitou que possam ter sido usados os mísseis de precisão de médio alcance (ATACMS) que Kiev pediu e que podem ser lançados pelo sistema HIMARS já na Ucrânia. "Não foram ATACMS, porque não lhes demos ATACMS", indicou.

Ataques em Donetsk

Pelo menos dois civis morreram e 13 ficaram feridos nos ataques russos em Kromatorsk, a última grande cidade sob controlo ucraniano na região de Donetsk. "Os bombardeamentos danificaram pelo menos 20 edifícios e deflagrou um incêndio", indicou nas redes sociais o governador regional, Pavlo Kyrylenko, apelando aos residentes da cidade para partirem.

Zelensky ordenou a retirada obrigatória de todos os civis de Donetsk, alegando que "quanto mais cedo for feita, menos pessoas o exército russo terá tempo para matar". Mas Kiev estima que ainda haverá centenas de milhares de pessoas nos territórios ainda não ocupados.

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