O presidente dos EUA, Donald Trump.
O presidente dos EUA, Donald Trump.Andres Martinez Casares/EPA

Maioria dos americanos vê Trump “mais errático” com a idade, revela sondagem da Reuters

A sondagem publicada pela agência noticiosa indica que 61% dos norte-americanos veem Donald Trump como cada vez mais errático com a idade, num país onde 79% consideram que os eleitos em Washington são demasiado velhos, enquanto a taxa de aprovação do presidente sobe ligeiramente para 40%.
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Seis em cada dez norte-americanos consideram que o Presidente Donald Trump se tornou mais errático à medida que envelhece, incluindo uma fatia relevante do eleitorado republicano, segundo uma nova sondagem Reuters/Ipsos divulgada esta terça-feira, 24 de fevereiro.

O inquérito, realizado durante seis dias e concluído na segunda-feira, surge na véspera do discurso anual do Estado da União, que Trump, de 79 anos, fará no Congresso, após um mês marcado por reprimendas públicas a legisladores e juízes, sublinha a Reuters.

No total, 61% dos inquiridos disseram que Trump “ficou errático com a idade”. A perceção é particularmente elevada entre democratas (89%), mas também aparece entre independentes (64%) e republicanos (30%), segundo os mesmos dados divulgados. Solicitada pela agencia noticiosa a comentar a sondagem, a Casa Branca não respondeu.

Apesar disso, a avaliação ao desempenho do presidente “manteve-se relativamente estável”. A aprovação de Trump situa-se nos 40%, mais dois pontos percentuais do que no início do mês, enquanto o valor de 47% registado no início do mandato não se repetiu; desde abril, a aprovação tem oscilado apenas um a dois pontos em torno do nível atual, indica a sondagem.

A questão da idade continua a pesar no debate político em Washington. Cerca de 79% dos participantes concordaram com a afirmação de que os eleitos na capital “são demasiado velhos para representar a maioria dos americanos”. A idade média é de aproximadamente 64 anos no Senado e 58 na Câmara dos Representantes, sublinha a  Reuters. Entre os democratas, 58% disseram que o líder da bancada no Senado, Chuck Schumer, de 75 anos, é velho demais para continuar a trabalhar no governo.

Trump regressou ao poder em janeiro de 2025, aos 78 anos, tornando-se o presidente mais velho a tomar posse na história dos Estados Unidos. Desde então, avançou a um ritmo acelerado com políticas e propostas, incluindo tarifas abrangentes sobre importações de dezenas de países e a mobilização de agentes federais em ações contra a imigração não autorizada, segundo a agência.

A Reuters sublinha ainda  “o tom combativo” frequentemente usado pelo presidente com dois exemplos:  na semana passada, afirmou estar “absolutamente envergonhado” com o facto de o Supremo Tribunal, de maioria conservadora, ter derrubado muitas das suas tarifas por as considerar ilegais; o “ataque” lançado em  novembro contra os legisladores democratas que exortaram  os militares a recusarem ordens ilegais, chamando-lhes traidores que poderiam enfrentar a pena de execução.

O tema ganhou relevância nas últimas eleições presidenciais. Trump venceu em 2024, em parte, porque o então presidente democrata Joe Biden era amplamente visto como tendo perdido acuidade mental com a idade, lembra a Reuters. Biden terminou o mandato aos 82 anos, mais do que qualquer presidente na história dos EUA; Trump fará 80 anos em junho e, a manter-se no cargo, poderá ultrapassar esse recorde.

Na sondagem de fevereiro, 45% dos inquiridos descrevem Trump como “mentalmente lúcido e capaz de lidar com desafios”, abaixo dos 54% registados numa sondagem Reuters/Ipsos realizada em setembro de 2023. A diferença é marcada sobretudo pela filiação partidária: 81% dos republicanos consideram-no “lúcido”, entre democratas essa perceção desceu para 19% (de 29% em 2023). Entre os que não se identificam com nenhum partido, 36% dizem que mantém a acuidade mental, face a 53% em 2023, segundo os números citados pela Reuters.

A sondagem Reuters/Ipsos foi conduzida online junto de 4638 adultos em todo o país e tem uma margem de erro de dois pontos percentuais.

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