Os líderes da oposição ucraniana rejeitaram esta quinta-feira a possibilidade de haver eleições presidenciais no país em tempo de guerra, em resposta à notícia do Politico que dava conta que tinham sido abordados de forma secreta pelas autoridades norte-americanas com essa proposta já depois de Donald Trump ter chamado “ditador” a Volodymyr Zelensky. O antecessor de Zelensky na presidência, Petro Poroshenko, que liderou o país durante a primeira fase da guerra no Donbass, admitiu que a sua equipa tem trabalhado “publicamente e de forma transparente” com “parceiros” dos Estados Unidos para manter o apoio à Ucrânia, mas deixou claro ser contra a eleições em tempo de guerra. De recordar que a Constituição da Ucrânia não permite a realização de eleições enquanto está em vigor a lei marcial.Já a antiga primeira-ministra Yulia Tymoshenko afirmou que o seu partido, o Batkvishchyna, está a negociar com “os nossos aliados que podem ajudar a garantir uma solução justa e pacífica o mais depressa possível”. E, tal como Poroshenko, disse que novas eleições são serão possíveis em tempo de paz. Esta quinta-feira também, o enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia explicou que a suspensão da ajuda e da partilha de informações com Kiev tem como objetivo “levá-los a envolverem-se em atividades diplomáticas”, acrescentando que “acima de tudo, é uma função de força para chegarmos à conclusão de que queríamos uma discussão de paz”. Mas deixou claro que esta “não acabou, é uma pausa”. Keith Kellogg deixou ainda claro que não há maneira de avançar sem a assinatura do acordo de minerais. “O que quero dizer é, e acredito pessoalmente, que não se avança até obter um documento assinado, ponto final. Ele [Zelensky] tinha a opção de o fazer quando eu estava na Ucrânia, não o fizeram; tiveram a opção de o fazer na semana passada e não o fizeram”, prosseguiu o norte-americano. E notou que as garantias de segurança, que têm sido uma das exigências por parte de Kiev para assinar o acordo, vão para lá do envio de tropas. “Não é apenas a peça militar, que é claramente importante, mas é também a peça económica, as sanções”, referiu Kellogg. “O que se faz com os ativos russos congelados? Há 300 mil milhões na Bélgica neste momento. O que vai fazer com eles? Principalmente, isto é dinheiro dos oligarcas”, recordou, dizendo que “ presidente Putin precisa de compreender que estes [ativos] podem ser apreendidos, desde que os europeus estejam dispostos a fazê-lo”.