Israel usou "arma química indireta" contra Gaza ao atacar depósito de agroquímicos, diz ONG

Organização palestiniana de direitos humanos Al-Haq acusa Israel de usar uma "arma química indireta" ao atacar um depósito de agroquímicos em Gaza em 2021.

Israel usou uma "arma química indireta" ao atacar um depósito de agroquímicos em Gaza no ano passado, segundo um estudo da organização palestiniana de direitos humanos Al-Haq, que denunciou problemas de saúde e para o meio ambiente naquela região.

"O ataque ao armazém de Khudair e outros alvos industriais semelhantes indica uma tentativa direta de usar o conteúdo químico de locais civis contra a população palestiniana na Faixa de Gaza, na forma de arma química indireta", destaca o relatório da recém-criada unidade de investigação forense da Organização Não Governamental Al-Haq.

O trabalho, divulgado esta semana e realizado em colaboração com a Forensic Architecture, agência de investigação com em Goldsmiths, Universidade de Londres, analisou o ataque aéreo ocorrido em 15 de maio de 2021 por forças israelitas contra o armazém de agroquímicos Khudair, no norte de Gaza, durante a mais recente guerra entre Israel e o enclave palestiniano.

"Agindo conscientemente, as forças israelitas criaram uma arma química destruindo agroquímicos", destacou a Al-Haq, argumentando que este ataque "equivale ao uso indireto de uma arma química e atende aos requisitos de um crime de guerra sob o direito penal internacional.

O armazém de Khudair abrigava mais de 50% dos suprimentos agrícolas da Faixa de Gaza, tornando-o particularmente importante para a agricultura da região. No interior, continha equipamentos agrícolas feitos de plástico ou 'nylon', além de pesticidas e fertilizantes.

Estudo fala em nuvem química que provocou "uma série de irritações e doenças de pele"

De acordo com o relatório, o armazém abrigava 18.000 litros de Kontos, um inseticida altamente tóxico e inflamável que pode libertar cianeto de hidrogénio, um gás potencialmente mortal, em caso de incêndio. O armazém também continha outras substâncias que podem produzir uma reação tóxica quando expostas ao fogo ou calor extremo.

Os investigadores da Al-Haq concluíram que Israel "não atacou com projéteis explosivos", mas com munição M150 Smoke HC 155mm, um novo tipo de projétil desenvolvido pela fabricante de armas israelita Elbit Systems que emite fumo de alta densidade.

O impacto destes projéteis produziu um incêndio que espalhou uma nuvem química por uma área de cerca de 5,7 quilómetros, causando entre os habitantes da região "uma série de irritações e doenças de pele", observou o estudo.

O ataque também causou danos ambientais significativos, pois os resíduos químicos do incêndio infiltraram-se no solo, o que pode ter contaminado as águas subterrâneas, acrescentou.

O especialista em munição, Chris Cobb-Smith, explicou no relatório que não poderia haver "nenhuma justificação militar" para disparar munições "inerentemente imprecisas" e altamente inflamáveis numa área tão densamente povoada.

Israel e Gaza protagonizaram uma guerra de onze dias, que começou em 10 de maio de 2021, após protestos de rua e confrontos entre israelitas e palestinianos na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, que abriga a Mesquita de Al Aqsa e representa o terceiro lugar mais sagrado do Islão e o primeiro para o judaísmo.

Esta foi a escalada na guerra mais intensa desde 2014, com vários disparos de 'rockets' contra Israel por milícias palestinianas e bombardeamentos israelitas contra Gaza.

Israel conquistou Jerusalém Oriental durante a Guerra israelo-árabe dos Seis Dias, em junho de 1967, juntamente com a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Posteriormente, anexou Jerusalém Oriental, uma decisão nunca reconhecida pela comunidade internacional.

Os palestinianos pretendem recuperar a Cisjordânia ocupada e Gaza e reivindicam Jerusalém Oriental como capital do futuro Estado da Palestina a que aspiram.

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