Exército de Taiwan dispara tiros contra drones chineses que sobrevoavam a ilha

Taiwan disparou tiros de advertência contra drones chineses que sobrevoavam a zona das ilhas Kinmen.

As forças armadas de Taiwan dispararam tiros de advertência contra aeronaves não tripuladas ('drones') chinesas que sobrevoavam o território taiwanês, num momento de crescente tensão entre Pequim e Taipé, foi divulgado esta quarta-feira.

O exército de Taiwan informou, em comunicado, que as forças daquele território dispararam os tiros de advertência na terça-feira, depois de os 'drones' terem sobrevoado a zona das ilhas Kinmen.

O comunicado referiu igualmente que os aparelhos eram de "uso civil", mas não deu mais detalhes.

A mesma fonte disse que as aeronaves regressaram à cidade chinesa vizinha de Xiamen depois dos tiros de advertência terem sido disparados. Taiwan tinha disparado em outras ocasiões anteriores sinalizadores como advertência.

O incidente ocorre num período de crescentes tensões entre Taipé e Pequim.

No início deste mês, após a deslocação da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, a Taiwan - a visita de mais alto nível realizada pelos Estados Unidos à ilha em 25 anos -- Pequim lançou exercícios militares numa escala sem precedentes, que incluíram o lançamento de mísseis e o uso de fogo real.

Durante quase uma semana, o Exército de Libertação Popular fez um bloqueio marítimo e aéreo de facto ao território.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso a ilha declare formalmente a independência.

Taiwan mantém o controlo sobre uma série de ilhas nos arquipélagos Kinmen e Matsu, no Estreito de Taiwan, uma herança do esforço dos nacionalistas de Chiang Kai-shek para manter uma posição próxima do continente, depois da guerra civil.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse que as ações da China não intimidam os 23 milhões de habitantes da ilha, afirmando que apenas fortalecem o apoio às forças armadas e ao estatuto do território como uma entidade política independente.

Os EUA preparam pacote de defesa avaliado em 1,1 mil milhões de dólares para Taiwan

As autoridades disseram que os sistemas de defesa contra 'drones' estão a ser reforçados, como parte de um aumento de 12,9% no orçamento anual da Defesa para o próximo ano.

Taipé está a planear um aumento no valor equivalente a 1,6 mil milhões de euros, para um total de quase 14 mil milhões de euros.

Os EUA também estão a preparar um pacote de defesa avaliado em 1,1 mil milhões de dólares (quase o mesmo valor em euros, ao câmbio atual) para Taiwan, que inclui mísseis anti-navio e ar-ar, visando repelir uma possível tentativa de invasão chinesa.

Após os exercícios chineses, os EUA enviaram dois navios de guerra para o Estreito de Taiwan, onde a China reclama soberania.

Políticos oriundos dos EUA, Japão e países europeus continuam a visitar Taipé para prestar apoio diplomático e económico.

O governador do Estado norte-americano de Arizona, Doug Ducey, está atualmente em visita a Taiwan para discutir a produção de semicondutores, 'chips' essenciais que são usados em produtos eletrónicos e se tornaram parte da competição tecnológica entre os EUA e a China.

Ducey está a tentar atrair fornecedores para a nova fábrica de 12 mil milhões de dólares (cerca 11,9 mil milhões de euros, ao câmbio atual) que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Corp. (TSMC) está a construir no seu Estado.

Na semana passada, o governador do Estado do Indiana visitou Taiwan numa missão semelhante.

Taiwan produz mais de metade da oferta global de 'chips' semicondutores de ponta.

O disparo de mísseis da China durante os exercícios militares interrompeu o transporte marítimo e aéreo, expondo a possibilidade das exportações de 'chips' sofrerem limitações ou de serem suspensas.

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