O Irão poderá lançar um ataque “significativo” contra Israel ainda esta semana, garantiu esta segunda-feira a Casa Branca, enquanto o presidente norte-americano, Joe Biden, discutia a crise no Médio Oriente com vários líderes europeus. “Temos de estar preparados para o que poderá ser um conjunto significativo de ataques”, disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, referindo que “compartilhamos as mesmas preocupações e expectativas que os nossos homólogos israelitas têm em relação a um potencial timing, [que] poderá ser esta semana”..Os comentários de Kirby foram feitos no dia em que se soube que os Estados Unidos enviaram um grupo de ataque de porta-aviões e um submarino com mísseis guiados para a região, numa demonstração de apoio a Israel, depois de o Irão e o Hezbollah terem prometido vingar os assassinatos em julho do chefe político do Hamas, Ismail Haniyeh, e do comandante do movimento libanês, Fuad Shukr..Biden falou ao telefone com os líderes da França, Alemanha, Itália e Reino Unido para discutir as tensões crescentes no Médio Oriente. Esta conversa serviu “em grande parte para que todos os líderes repetissem o que disseram antes em termos de reafirmar a defesa de Israel” e “enviassem uma mensagem forte de que não queremos ver qualquer aumento da violência, quaisquer ataques do Irão ou dos seus representantes”. Emmanuel Macron, Olaf Scholz, Giorgia Meloni e Keir Starmer também pediram um cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza, que terá mais um difícil capítulo de negociações marcado para quinta-feira..Entretanto, em Telavive, o exército israelita aprovou planos para “diferentes frentes” face a um possível ataque do Hezbollah e do Irão, com o chefe do Estado-Maior General Herzi Halevi a reunir-se com altos responsáveis militares para discutir a situação. “O chefe do Estado-Maior sublinhou a manutenção de um elevado nível de alerta e os esforços de preparação tanto para a ofensiva como para a defesa”, referiu um comunicado militar. Já o ministro da Defesa Yoav Gallant afirmou que as suas forças estão em estado de “vigilância e preparação” para a possibilidade de um ataque de retaliação iminente pelos assassínios de Haniyeh e Shukr. E reiterou ainda que as capacidades defensivas e ofensivas do país foram reforçadas nos últimos dias. .Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros Israel Katz alertou que o Irão e o Hamas estão a contrabandear armas e dinheiro para a Jordânia “para desestabilizar o regime” e gerar “uma nova frente terrorista contra Israel no leste” que afetaria as populações da região. “Hoje o eixo iraniano do mal controla os campos de refugiados na Judeia e Samaria através dos seus afiliados e deixa a Autoridade Palestiniana sem poder para agir. Devemos atacar centros terroristas como o campo de refugiados de Jenin e realizar uma campanha completa para desmantelar a infraestrutura terrorista”, sublinhou Katz na rede social X, defendendo também a construção de um muro defensivo na fronteira com a Jordânia, que tem atuado como aliada de Telavive nos últimos meses, nomeadamente com a colaboração na deteção e abate dos foguetes, drones e mísseis lançados por Teerão contra Israel em abril..Esta segunda-feira foi ainda noticiado que a Guarda Revolucionária do Irão iniciou manobras militares perto da fronteira com o Iraque, um país próximo de Israel, com o objetivo de reforçar as “capacidades de combate e vigilância” das forças iranianas, especialmente na sequência do ataque de 31 de julho, de acordo com a agência de notícias IRNA. Teerão instalou na semana passada sistemas de radar, mísseis e drones no oeste do país para fazer face a “todos os tipos de ameaças”..ana.meireles@dn.pt