Economistas do Brasil pedem medidas mais duras para travar pandemia

Quase 200 economistas brasileiros instaram o Governo de Bolsonaro a acelerar a vacinação e adotar restrições mais duras para conter a disseminação desenfreada da covid-19

Quase 200 economistas brasileiros, incluindo ex-ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais, instaram esta segunda-feira o Governo brasileiro a acelerar a vacinação e adotar restrições mais duras para conter a disseminação desenfreada da covid-19.

Os signatários da carta esta segunda-feira publicada condenaram a "devastadora" situação económica e social na maior nação da América Latina. Os economistas também tentaram contrariar a afirmação do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de que confinamento obrigatório e restrições infligiriam mais sofrimento à população do que a doença.

"Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do Governo Federal", dizia a carta.

"Este [Governo Federal] subutiliza ou utiliza mal os recursos de que dispõe, inclusive por ignorar ou negligenciar a evidência científica no desenho das ações para lidar com a pandemia. Sabemos que a saída definitiva da crise requer a vacinação em massa da população. Infelizmente, estamos atrasados", acrescenta o texto, frisando a urgência na adoção de medidas drásticas de isolamento social.

O grupo contestou ainda os argumentos de Bolsonaro, de que o isolamento social provoca pobreza, e consequente morte.

"A controvérsia em torno dos impactos económicos do distanciamento social reflete o falso dilema entre salvar vidas e garantir o sustento da população vulnerável. Na realidade, dados preliminares de óbitos e desempenho económico sugerem que os países com pior desempenho económico tiveram mais óbitos de covid-19", sustenta o texto.

"Estudos mostraram que diante da aceleração de novos casos, a população responde ficando mais avessa ao risco sanitário, aumentando o isolamento voluntário e levando à queda no consumo das famílias mesmo antes ou sem que medidas restritivas formais sejam adotadas. A recuperação económica, por sua vez, é lenta e depende da retomada de confiança e maior previsibilidade da situação de saúde no país", frisa a carta.

Jair Bolsonaro, um forte critico das medidas de isolamento social desde o início da pandemia, tem sido alvo de muitas críticas por defender que a população brasileira saia à rua em prol da economia, e "antevê problemas sérios" caso isso não aconteça.

O produto interno bruto do Brasil contraiu 4,1% em 2020, a maior recessão anual em décadas. Os economistas disseram que a queda da atividade custou sozinha ao Brasil uma perda de arrecadação de impostos de 6,9%, aproximadamente 58 mil milhões de reais (8,82 mil milhões de euros).

Após a carta dos economistas ter sido difundida, Bolsonaro insistiu esta segunda-feira que a política de confinamento para impedir o avanço da covid-19 "empobrece os pobres" e também mata, porque leva muitas pessoas "à depressão e ao suicídio".

O Brasil, que atravessa agora o seu momento mais critico da pandemia, é o segundo país do mundo mais afetado pela covid-19, com quase 12 milhões de casos e 294.042 mortes, apenas atrás dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.716.035 mortos no mundo, resultantes de mais de 123 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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