Chefe da NATO admite que é preciso reforçar urgentemente apoio militar

Jens Stoltenberg. faz votos para que os Aliados concordem em fornecer muitos tipos diferentes de equipamento. Garante ainda que a adesão de Finlândia e Suécia à NATO pode ser muito rápida.

O secretário-geral da NATO admitiu esta quarta-feira que a Ucrânia precisa urgentemente de mais apoio militar e disse esperar que os Aliados, reunidos em Bruxelas ao nível de chefes da diplomacia, concordem em fornecer "muitos tipos diferentes de equipamento".

"A Ucrânia tem uma necessidade urgente de apoio militar, e essa é a razão pela qual é tão importante que os Aliados concordem em apoiar ainda mais a Ucrânia com muitos tipos diferentes de equipamento, tanto equipamento mais pesado, como também sistemas de armas ligeiros", disse Jens Stoltenberg.

O responsável norueguês falava à chegada ao quartel-general da NATO, em Bruxelas, que acolhe entre quarta e quinta-feira uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança Atlântica, na qual Portugal estará representado pelo seu novo chefe da diplomacia, João Gomes Cravinho, e que volta a ser consagrada à agressão militar da Rússia à Ucrânia.

Stoltenberg sublinhou a importância do apoio militar que a NATO tem prestado ao exército ucraniano para se defender da invasão russa apontando que "está à vista que este apoio tem tido um efeito todos os dias".

"Podemos ver as imagens de todos os blindados russos destruídos. Isso é algo que foi feito com armas anti-tanque e armas anti-blindados fornecidas pelos aliados da NATO", indicou.

Para "dar um exemplo de como os Aliados estão a aumentar" ainda mais o seu apoio à Ucrânia, o secretário-geral da NATO destacou que "o Congresso dos Estados Unidos acabou de decidir alocar mais dinheiro para sistemas anti-blindados" e disse esperar que os restantes membros da organização também concordem em fornecer "mais apoio com muitos tipos diferentes de armamento".

Durante as declarações prestadas à entrada para a reunião, Stoltenberg comentou ainda que não há qualquer sinal de que o Presidente russo, Vladimir Putin, tenha "desistido do seu desejo de controlar toda a Ucrânia" e alertou que a guerra poderá durar "meses, ou mesmo anos".

"Temos de ser realistas. A guerra pode durar muito tempo, vários meses, ou mesmo anos. E é por isso que também temos de estar preparados para um longo caminho, tanto em termos de apoio à Ucrânia como mantendo sanções e reforçando as nossas defesas", declarou.

Eventual adesão de Finlândia e Suécia à NATO pode ser muito rápida

O secretário-geral da NATO disse acreditar que, caso Suécia e Finlândia decidam candidatar-se à Aliança Atlântica, o processo de adesão pode ser "bastante rápido", dado os dois países já estarem há muitos anos próximos da organização.

"Não há outros países que estejam mais próximos da NATO, que tenham trabalhado tão de perto connosco durante tantos anos, em termos de interoperabilidade e exercícios militares, além de que sabemos que cumprem os nossos requisitos ao nível do controlo político democrático civil das instituições de segurança e das forças armadas. Essa é a razão pela qual acredito que um eventual processo de adesão para estes países pode ser bastante rápido", disse Jens Stoltenberg.

O secretário-geral sublinhou por várias vezes que "cabe à Finlândia e à Suécia decidirem se querem candidatar-se a ser membros ou não". "Caso decidam candidatar-se, a minha expectativa é que todos os aliados os acolham. E, tendo em conta que Suécia e Finlândia são os nossos mais próximos parceiros, sabemos que podem facilmente aderir a esta Aliança se decidirem candidatar-se", reforçou.

Questionado sobre as garantias de segurança que podem ser dadas aos dois países no período intermédio entre uma eventual candidatura e o encerramento do processo - durante o qual poderiam estar particularmente vulneráveis a represálias da Rússia -, Jens Stoltenberg disse estar "certo de que é possível encontrar formas de dar resposta a preocupações que possam ter" relativamente a esse período até à "ratificação final".

"Penso que não ajuda eu estar a especular na praça pública sobre como podemos ao certo fazer isso, até porque antes de mais é preciso saber se querem aderir. Mas estou confiante de que se decidirem fazê-lo, sentar-nos-emos e seremos capazes de encontrar uma forma de lidar com essa questão. Mas, repito, cabe à Suécia e Finlândia decidirem", disse.

Suécia e Finlândia já foram alvo de ameaças de Moscovo no quadro dos debates em curso sobre a possível adesão à NATO, relançados com a invasão da Ucrânia pela Rússia, após Kremlin ter exigido que Kiev renunciasse à pretensão de aderir à Aliança.

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