"Castigo do céu". Amadores constroem drones para o exército ucraniano 

Num local secreto de Lviv entusiastas amadores fabricam drones mortíferos destinados à linha da frente da guerra contra a Rússia.

Numa mesa desordenada, a estrutura em forma de um X de um drone encontra-se entre molhos de hélices de plástico e saquetas de parafusos minúsculos. Em breve voará com a sua carga útil: uma granada antitanque, do tamanho de uma garrafa de vinho, concebida para penetrar na blindagem russa.

Dois outros drones já estão afixados com hélices quádruplas, os seus corpos com pequenas bombas prestes a atingirem a infantaria russa. Mais um - com a forma de um bombardeiro furtivo, do tamanho de uma ave de rapina - conduzirá missões de reconhecimento para esquadrões de artilharia, detetando alvos e marcando-os para ataques.

Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, o coletivo Nebesna Kara (Castigo do Céu) já fabricou cerca de 40 drones especializados para os militares ucranianos. Antes de 24 de fevereiro, os seus seis membros eram amigos na comunidade das corridas de drones. "Infelizmente tudo mudou", disse Alex.

A equipa de seis pilotos, com a ajuda de 10 membros conselheiros e as dicas de quase 900 peritos online, respondeu a pedidos de militares com a produção de cerca de 40 drones.

Os analistas dizem que as forças ucranianas são inferiores e estão em desvantagem na guerra com a Rússia. Mas a sua defesa obstinada tem funcionado através do conhecimento do terreno, de táticas de ataque relâmpago e de sabotagem tecnológica. Nos primeiros dias da invasão, temia-se que a capital Kiev caísse para uma coluna blindada russa com 65 quilómetros de comprimento, aproximando-se do norte.

Reconhecimento e precisão

Foi noticiado que equipas móveis armadas com drones desempenharam um papel fundamental na contenção desse ataque, marcando alvos para ataques aéreos, e forçando a caravana a dispersar-se. "É uma técnica de reconhecimento e de precisão de fogo de artilharia", disse o membro da Nebesna Kara Dmitriy. "Agora há uma grande procura de equipamento tão subversivo", comentou.

O coletivo - que também tem 10 "membros conselheiros" e recorre ao conhecimento de 877 entusiastas através de mensagens online - recebe encomendas de especialistas militares em pontos quentes de conflito.

As suas criações voadoras são reunidas a partir de kits de venda livre, peças impressas em 3D e componentes encomendados a um distribuidor chinês online. Até uma extremidade da sala, as peças estão espalhadas numa bancada de trabalho - placas de circuitos com microchips, fios elétricos, motores elétricos.

Os militares ucranianos confiaram fortemente em doações para apoiar a defesa do país. As nações estrangeiras têm oferecido "ajuda letal" e os cidadãos comuns têm sido solicitados a angariar dinheiro.

Alex diz que o seu programa de drones funciona de uma forma muito semelhante. Especialistas dizem-lhes o que precisam que o drone faça e produzem-no à medida, com dinheiro do financiamento comunitário.

Mais barato do que um iPhone

Os benefícios superam em muito os custos. No seu telefone, Dmitriy mostra um vídeo a partir da ótica de um drone ao longo de uma trincheira russa, revelando as posições. "Se tiver um piloto habituado a operar este material, ele pode passar por cima desta trincheira e em cinco minutos terá toda a informação de que necessita", disse Alex. "Um iPhone custa mais do que este equipamento", acrescentou.

Ao lado da oficina estão empilhados peças sobressalentes e os pacotes de drones prontos para expedição. Um deles tem como destino a cidade de Mykolaiv, no sul do país. Na terça-feira, um ataque de mísseis atingiu o edifício do governo regional, matando 36 pessoas. Preparado para a expedição, é acompanhado por uma nota manuscrita em feltro vermelho e azul dirigida ao piloto ucraniano - e talvez também às tropas russas fora dos portões da cidade. "De Nebesna Kara, com amor", lê-se.

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