Brasil. Juiz absolve homem de 35 anos acusado de violar menina de 12

Brasil. Juiz absolve homem de 35 anos acusado de violar menina de 12

“Vínculo afetivo consensual”, justificou desembargador que derrubou condenação de primeira instância a nove anos de prisão. Caso indigna deputados da esquerda à direita.
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O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, no Brasil, absolveu um homem de 35 anos acusado de violação contra uma menina de 12. O juiz desembargador Magid Láuar considerou que o réu e a vítima tinham “vínculo afetivo consensual” e por isso derrubou a sentença de primeira instância que havia condenado o suspeito a nove anos e quatro meses de prisão. Walner de Azevedo, outro juiz, acompanhou a decisão, deixando a juíza Kárin Emmerich em minoria.

Segundo o Código Penal brasileiro, “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos configura violação de vulnerável”. E o Supremo Tribunal de Justiça já firmou entendimento de que o consentimento da vítima, eventual experiência sexual anterior ou existência de relação amorosa não afastam a ocorrência do crime, lembra o portal G1.

Para o desembargador, porém, o caso ocorrido em Indianópolis, Minas Gerais, “tem peculiaridades”. “Havia vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos”, afirmou na sentença.

O suspeito, que tem cadastro policial por homicídio e tráfico de drogas, foi preso em abril de 2024 quando estava com a vítima. Não só o próprio admitiu ter relações sexuais com a menina como a mãe dela disse que o deixou “namorar” a filha. Ambos foram condenados em primeira instância a nove anos e quatro meses mas recorreram e foram absolvidos. O suspeito deixou a prisão onde se encontrava dia 13.    

O Ministério Público já anunciou que vai recorrer e o Corregedor Nacional de Justiça instaurou um pedido de providências em relação à atuação do juiz e do tribunal em causa.

Na política, o caso teve o condão de unir dois deputados do estado de Minas Gerais habitualmente em campos opostos. Para Duda Salabert (do PDT, de centro-esquerda), “chamar violência de 'amor’ não muda a lei”. "Temos de fazer uma denúncia não contra um juiz específico mas contra uma falha estrutural do Estado”, concluiu. 

Nikolas Ferreira (do PL, de Jair Bolsonaro), que chegou a usar peruca no dia internacional da mulher no púlpito da Câmara dos Deputados para atacar Salabert, que é transexual, afirmou que “não importa se [a vítima] consentiu, se já teve outros relacionamentos ou se ela disse que gosta dele”.

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