Bolsonaro diz que Lula, se for eleito, "vai roubar o dobro"

Atual presidente brasileiro ainda ridicularizou as urnas eletrónicas em funcionamento no país.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou que o ex-chefe de Estado e candidato presidencial Lula da Silva irá "roubar o dobro" caso vença as eleições, num discurso onde voltou a ridicularizar as urnas eletrónicas no país.

"Alguém recontrataria um empregado que roubou sua empresa no passado? Por quê querer recontratar um cara que roubou a Nação por 14 anos?", questionou Jair Bolsonaro num encontro com banqueiros, em retórica, aludindo aos escândalos de corrupção que marcaram os governos de Lula (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).

"Vamos recontratar esse cara para quê? Ele vai sentir que fez a coisa certa. Vai fazer agora o dobro", disse Bolsonaro, que concorre a um segundo mandato nas eleições presidenciais de 02 de outubro.

"Alguns acham que o canalha que estava preso vai voltar para não continuar o que estava fazendo", acusou ainda, citado na imprensa local.

O Presidente brasileiro avisou os representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que, com o regresso de Lula à presidência, o Brasil iria juntar-se a Cuba, Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia.

O chefe de Estado tem o hábito de citar este grupo de países nas suas declarações, que, segundo ele, caíram nas mãos do "comunismo".

O governante, que aparece em segundo lugar nas intenções de voto, atrás de Lula, também mostrou uma fotografia "antiga" do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) com o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, numa nova tentativa de o desacreditar.

Em tom de gozo, Bolsonaro convidou os banqueiros a adotarem o mesmo sistema de segurança do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - o órgão responsável pelas eleições no Brasil.

"Eu não entendo como vocês gastam fortuna com defesa cibernética. Não entendo. Temos lá em Brasília, tem um órgão intransponível, impenetrável, inexpugnável. Vão para lá, para pegar a tecnologia deles. É isso que está causando aqui esse 'burburinho da democracia'", afirmou.

Jair Bolsonaro tem lançado suspeitas constantes, e até agora infundadas, de fraude sobre o processo eleitoral e mais precisamente sobre as urnas eletrónicas utilizadas no país desde 1996 e que não foram até agora objeto de uma única queixa de fraude.

O chefe de Estado brasileiro está há vários meses em guerra aberta com o TSE e mais precisamente com o seu presidente, Edson Fachin.

Nos últimos meses, tem havido um crescimento de vozes de analistas, de instituições e organizações que procuram chamar a atenção para o facto de Jair Bolsonaro estar a inflamar a base de apoio e a criar bases para 'uma invasão do Capitólio', como aconteceu nos Estados Unidos.

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