Ucrânia domina agenda entre Biden e Putin

Planos de invasão da Rússia e expansão da NATO no centro da discussão entre os dois líderes.

César Avó
Biden espera ter uma "longa discussão" com Putin.© MANDEL NGAN/AFP e MIKHAIL METZEL/SPUTNIK

Tensão elevada para a cimeira à distância entre os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin. A agenda está cheia de temas divergentes, sendo o da Ucrânia o mais premente, depois de os serviços secretos norte-americanos terem revelado, através do Washington Post, um documento sobre os planos de uma ofensiva militar de Moscovo à Ucrânia no início de 2022. Do lado do Kremlin, alega-se que um avião comercial teve de mudar de trajetória na sexta-feira para evitar "uma catástrofe" que seria causada por uma aeronave de reconhecimento da NATO.

A videoconferência entre Biden e Putin - "assassino", nas palavras do norte-americano - foi precedida de várias tentativas de pressão de parte a parte. Os Estados Unidos vão realizar na quinta e sexta-feira a cimeira pela democracia, na qual convidaram cerca de cem líderes mundiais e deixaram de fora russos e chineses, mas convidaram representantes de Kiev e Taipé, por exemplo, para fúria não dissimulada de Moscovo e Pequim (diga-se ainda que Washington anunciou na segunda-feira o boicote aos Jogos Olímpicos de inverno de 2022, que vão decorrer na capital chinesa).

Washington ameaça retaliar com medidas económicas e uma maior presença militar no flanco leste. Moscovo quer garantias de que a NATO não vai expandir-se.

Da parte norte-americana, às notícias sobre os planos russos de invasão à Ucrânia com 175 mil soldados, apoiados por mais 100 mil reservistas, Joe Biden disse estar a preparar um "conjunto abrangente e significativo de iniciativas". E sobre a conversa com o homem que lidera a Rússia há duas décadas disse: "Há muito tempo que estamos cientes das ações da Rússia e a minha expectativa é que vamos ter uma longa discussão."

Nessa discussão, Biden irá advertir que qualquer agressão à Ucrânia terá um elevado preço a pagar, não só por parte dos Estados Unidos, mas também da Aliança Atlântica e da União Europeia, noticiou o Financial Times. O mesmo foi confirmado pela Casa Branca na segunda-feira, ao dizer que Moscovo sofrerá "graves prejuízos económicos" caso se decida por um ataque militar.

Para já não há pormenores sobre quais serão as "medidas económicas de peso", mas deixar por inaugurar o gasoduto Nord Stream 2, que liga a Rússia à Alemanha, é o mais óbvio. Outras medidas podem passar por excluir a Rússia do sistema de pagamentos bancários SWIFT ou congelar ativos financeiros russos no estrangeiro.

A AFP cita um funcionário da Casa Branca, segundo o qual Biden deixará claro que se Putin invadir "haveria um pedido crescente dos aliados do flanco oriental e uma resposta positiva dos Estados Unidos para forças, capacidades adicionais e exercícios" militares.

É precisamente isso que se espera que Vladimir Putin - que tem repetidamente criticado a presença da NATO no Mar Negro - faça. O presidente russo, que na véspera esteve em Nova Deli a vender o sistema de defesa de mísseis S-400 e um acordo para a Índia fabricar metralhadoras AK-203, quererá garantias de que a NATO não se expandirá para a Ucrânia e Geórgia.

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