Rússia exige que NATO retire tropas da Bulgária e Roménia

Para o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, trata-se da retirada das forças, equipamento e armamento estrangeiros "com o objetivo de regressar à situação em 1997, em países que não eram membros da NATO na altura".

DN/Lusa
Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros© EPA/RUSSIAN FOREIGN AFFAIRS MINISTRY

A Rússia exigiu esta sexta-feira a retirada das tropas estrangeiras que a NATO mantém em dois dos seus Estados-membros, Bulgária e Roménia, como parte de um tratado que apresentou como condição para desanuviar a crise na Ucrânia.

"Trata-se da retirada das forças, equipamento e armamento estrangeiros, bem como de outras medidas com o objetivo de regressar à situação em 1997, em países que não eram membros da NATO na altura. Este é o caso da Roménia e da Bulgária", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em resposta a uma pergunta escrita de um órgão de comunicação social.

"Não há ambiguidade", acrescentou o ministério chefiado por Sergei Lavrov, citado pela agência de notícias AFP.

A resposta do ministério -- na sequência de uma pergunta a que Sergei Lavrov não pôde responder numa conferência de imprensa em 14 de janeiro -- foi divulgada no dia em que o ministro russo se reúne com o seu homólogo norte-americano, Antony Blinken, na cidade suíça de Genebra, para discutir a crise ucraniana.

Relações Rússia-EUA "atingiram um ponto perigoso e crítico"

Os Estados Unidos da América (EUA) suspeitam que Moscovo pretende invadir a Ucrânia, uma intenção negada pela Rússia, embora mantenha cerca de 100 000 soldados ao longo da fronteira do seu vizinho.

A Ucrânia, uma antiga república soviética, tornou-se pró-ocidental e pretende aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), um objetivo a que a Rússia se opõe.

No seu comentário, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo considerou que as relações com os EUA atingiram um ponto "perigoso e crítico" e insistiu que Washington e os seus aliados devem responder às garantias de segurança exigidas por Moscovo.

"Quanto às relações Rússia-EUA, que atingiram um ponto perigoso e crítico devido a Washington, há uma necessidade urgente de um diálogo substancial e sério e de medidas concretas por parte dos norte-americanos e dos seus aliados para conceder garantias de segurança fiáveis à Rússia", disse o ministério, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Para Moscovo, a "atividade agressiva da NATO no 'flanco oriental', as ações hostis" contra a Rússia, "incluindo exercícios imprevistos, a proximidade e as manobras perigosas de navios e aviões de guerra, e o desenvolvimento militar do território ucraniano são absolutamente inaceitáveis".

A Rússia exige que os EUA e os aliados europeus assinem tratados em que a NATO renuncie a qualquer alargamento a leste e regresse à arquitetura de segurança construída na Europa após o fim da Guerra Fria e a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991.

Segundo o Kremlin (Presidência russa), o Ocidente tinha prometido verbalmente aos russos, nos anos de 1990, nunca alargar a Aliança Atlântica, promessas que Moscovo diz que foram quebradas com a adesão à NATO de antigos países do bloco comunista.

Para o Ocidente, as exigências russas são inaceitáveis, argumentando que a NATO é uma aliança de natureza defensiva e que cada Estado é livre de escolher as suas alianças.

"A Rússia costumava fazer esforços adequados, mas os nossos passos eram dados como garantidos e, em resposta, recebemos apenas um desrespeito arrogante pelas prioridades russas", lê-se ainda na resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

"Agora, é importante reconstruir a atmosfera de confiança para regressar pelo menos a um aspeto de normalidade. Isto é do nosso interesse comum. Em geral, não existem diferenças insuperáveis entre a Rússia e os Estados Unidos", acrescentou.