Putin: "Temos meios mais poderosos que a NATO. Se necessário usaremos tudo o que temos à disposição"

Presidente russo anunciou ainda a "mobilização parcial" de militares na reserva e o aumento de fabrico de armamento num discurso proferido na manhã desta quarta-feira, no qual volta a acenar com a ameaça nuclear.

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Numa altura em que as forças armadas russas têm sentido dificuldades na guerra na Ucrânia, com os ucranianos a recuperar alguns territórios que tinham sido perdidos, Vladimir Putin elevou a fasquia e, num discurso transmitido esta quarta-feira de manhã, anunciou a "mobilização parcial" de militares na reserva e o aumento de fabrico de armamento e ameaçou ainda utilizar todos os meios que a Rússia tem à disposição, meios esses que, segundo o presidente russo, são "mais poderosos" do que os da NATO.

"Temos meios mais poderosos da NATO e, se tivermos de o fazer para defender o nosso território, utilizaremos todos os meios que temos à disposição. Repito: todos os meios que temos à disposição", vincou, depois de alegar que o Ocidente tem ameaçado atacar a russa com armas nucleares e de destruição maciça. "Isto não é um bluff", avisou, numa clara alusão à utilização de armamento nuclear.

"O objetivo do Ocidente é enfraquecer, dividir e destruir a Rússia", garantiu, através da supressão "dos centros de desenvolvimento soberanos e independentes" no mundo.

"Eles [os ocidentais] dizem abertamente que em 1991 conseguiram desmembrar a União Soviética e que agora chegou a vez da Rússia", acusou.

Antes, Putin disse que vai "seguir sugestão do Ministério da Defesa para mobilização parcial de militares na reserva", explicando que esses militares "terão treino para reforçar a operação militar" na Ucrânia. "O decreto da mobilização parcial já está assinado e a mobilização começará hoje mesmo", acrescentou.

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O presidente russo disse ainda que o Ocidente quer que o campo de batalha para o território russo e que há regiões na "fronteira que estão a ser bombardeadas".

Putin afirmou que o Kremlin fará de tudo para "garantir a segurança" durante os referendos que se vão realizar nas regiões separatistas e que as forças armadas russas estão numa linha da frente de 5000 km para garantir a segurança do seu povo.

O chefe de Estado russo frisa que há "ucranianos que foram feitos reféns pelo governo de Kiev" e que a "política de terror" das forças ucranianas é "cada vez maior". "Eles atacam hospitais e escolas. Não podemos deixar de apoiar as pessoas", garantiu.

Sobre as negociação de paz, Putin diz que a "Ucrânia gostou" das propostas russas em Ancara, mas que o "Ocidente não gostou e obrigou a Ucrânia a recusá-las", tendo recordado que "esta guerra começou em 2014, quando começaram um genocídio numa altura em que a Ucrânia um regime ditatorial".

Vladimir Putin dirigiu-se ao país no mesmo dia em que o presidente dos EUA, Joe Biden, irá discursar na 77ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Aliás, está igualmente prevista para quarta-feira uma intervenção, por videoconferência do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nas Nações Unidas, como indica a programação da ONU.

O discurso do presidente russo à nação acontece numa altura em que os líderes separatistas fizeram saber que vão avançar para a realização de referendos na região do Donbass, nos territórios ocupadas pelas forças pró-russas para decidirem sobre a sua anexação pela Rússia. E os referendos vão começar já esta sexta-feira, estando previsto terminarem a 27 de setembro. Isto numa altura em que está a decorrer uma contraofensiva ucraniana, com Kiev a anunciar que recuperou várias localidades, anteriormente ocupadas pelas forças de Moscovo.

A comunidade internacional já condenou esta vontade expressa dos separatistas pró-russos de Donbass, considerando que os referendos são ilegítimos, com os EUA, por exemplo, a avisar que não vão reconhecer alegadas anexações de território ucraniano pela Federação Russa.

As câmaras públicas das autoproclamadas Repúblicas Populares de Lugansk e Donetsk apelaram aos líderes das duas províncias separatistas para que realizassem imediatamente referendos sobre a adesão à Rússia, após o qual a região de Kherson e depois Zaporijia se lhe juntaram esta terça-feira.

Os supostos escrutínios terão lugar nas regiões de Donetsk e Lugansk, cuja independência o presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu pouco antes de lançar a sua ofensiva militar contra a Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Respondendo aos apelos das autoridades pró-russas no Donbass, também representantes de um órgão consultivo pró-russo na região de Zaporijia, apenas parcialmente controlada pelas tropas russas, juntaram-se esta terça-feira aos seus colegas de Lugansk, Donetsk e Kherson, pedindo a realização imediata de um referendo sobre a sua adesão à Rússia.