Kaliningrado. Os 27 vão "esta noite" discutir tensão entre Rússia e Lituânia sobre sanções

Bruxelas deverá esclarecer se a transferência de produtos "da Rússia para a Rússia" também deve ser alvo de sanções.

João Francisco Guerreiro
O presidente da Lituânia. Gitanas Nauséda.© EPA/STEPHANIE LECOCQ

O Presidente da Lituania, Gitanas Nausėda afirmou esta quinta-feira, em Bruxelas, que o diferendo entre Vilnius e Moscovo é "um tema europeu, e não de uma questão bilateral". E, por essa razão, pretende lançar o tópico para cima da mesa "esta noite", acrescentando que o mínimo que espera é o "apoio solidário" dos 27 em relação à Lituânia.

"É muito importante que a Comissão Europeia também expresse solidariedade com o meu país", afirmou o chefe de Estado, referindo-se ao diferendo com Moscovo, a propósito da aplicação das sanções europeias.

As autoridades lituanas estão a aplicar um regime de controlos aleatórios ao transporte ferroviário da Rússia para o enclave de Kaliningrado, bloqueando a passagem de produtos abrangidos pelas sanções.

O presidente lituano admite que possa "haver a necessidade" de uma clarificação da parte de Bruxelas sobre as regras a aplicar, de uma "forma mais precisa".

Será preciso esclarecer se a transferência de produtos "da Rússia para a Rússia" também se encontra abrangida pelas sanções europeias, na situação particular de obrigar a travessia de um território estrangeiro, comentou uma fonte europeia, com o DN/TSF, a propósito do caso que envolve a Lituânia.

O chefe de Estado diz estar apenas a aplicar as regras europeias, tal e qual como foram decididas pelos 27. "A Lituânia não está a introduzir sanções próprias", afirmou.

"Estamos apenas aplicar as sanções tal como foram estabelecidas pela União Europeia e nós estamos a implementá-las de acordo com essa regra", afirmou o Gitanas Nausėda.

Ao que foi possível apurar, o entendimento de algumas delegações é que "a transferência de produtos essenciais" entre territórios da Rússia "não deve ser abrangida pelas sanções", e deve adotar-se uma postura que "não agrave a tensão" com o Kremlin.

Em Bruxelas