Kiev rejeita qualquer acordo que envolva cedência de território

Dia marcado pela visita de António Costa à Ucrânia. O primeiro-ministro começou por uma visita à cidade de Irpin, onde os ucranianos travaram a progressão russa até Kiev, e manifestou-se impressionado. Depois, encontrou-se com Zelensky.

DN
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Donetsk identifica 78 mulheres entre combatentes capturados em Azovstal

Forças de Donetsk, aliadas do exército russo na invasão da Ucrânia, identificaram 78 mulheres entre os combatentes ucranianos capturados no complexo siderúrgico Azovstal, o último bastião remanescente na cidade de Mariupol, no leste do país.

A informação foi confirmada pelo líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, que afirmou igualmente, citado pela agência noticiosa russa TASS, que há estrangeiros entre os capturados, embora não tenha precisado o número.

"Tinham comida e água suficientes e armas de sobra, o problema era que faltavam medicamentos", disse, acrescentando que pelo menos seis combatentes ucranianos foram mortos durante o ataque final russo quando tentaram detonar um depósito dentro do complexo siderúrgico para evitar que fossem capturados.

Lusa

Kiev não aceitará qualquer acordo que envolva cedência de território

A Ucrânia descartou neste sábado um acordo de cessar-fogo com a Rússia e disse que Kiev não aceitará nenhum acordo com Moscovo que envolva a cedência de território.

Reconhecendo que a posição de Kiev sobre a guerra está a tornar-se mais intransigente, o conselheiro presidencial Mykhailo Podolyak disse que fazer concessões seria um tiro pela culatra para a Ucrânia, porque a Rússia reagiria com mais força após qualquer interrupção nos combates.

"A guerra não vai parar (depois de quaisquer concessões). Será apenas colocada em pausa por algum tempo", disse ele à Reuters, em entrevista no gabinete presidencial fortemente vigiado, onde algumas das janelas e corredores são protegidos por sacos de areia, descreve a Reuters.

"Depois de um tempo, com intensidade renovada, os russos vão começar uma nova ofensiva, ainda mais sangrenta e em grande escala."

Podolyak catalogou como "muito estranhos" os pedidos do Ocidente por um cessar-fogo urgente que envolveria as forças russas que permanecem no território que ocuparam no sul e no leste da Ucrânia.

Rússia pondera trocar prisioneiros do batalhão Azov por aliado de Putin

Moscovo vai considerar a troca de prisioneiros do batalhão Azov da Ucrânia por Viktor Medvedchuk, um empresário ucraniano próximo do presidente Vladimir Putin, disse um negociador russo neste sábado.

"Vamos estudar a possibilidade", disse Leonid Slutsky, membro da equipa de negociação da Rússia sobre a Ucrânia, falando desde a cidade separatista de Donetsk, no sudeste da Ucrânia, informou a agência de notícias RIA Novosti.

Medvedchuk, de 67 anos, é um político e uma das pessoas mais ricas da Ucrânia, sendo conhecido pelos laços estreitos com Putin.

Escapou da prisão domiciliar após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro, mas foi preso novamente em meados de abril.

AFP

Erdogan insiste para Suécia "pôr fim ao apoio" a "organizações terroristas"

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a pedir hoje à Suécia que "ponha fim ao seu apoio político e financeiro e entrega de armas a organizações terroristas", mantendo a sua oposição à entrada na Nato.

O chefe de Estado turco teve as suas primeiras conversas telefónicas com os seus homólogos suecos, a primeira-ministra Magdalena Anderson, e o presidente finlandês, Sauli Niinistö, bem como com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Nato) Jens Stoltenberg, desde o início da crise aberta entre Ancara e os dois países que mostraram interesse na adesão à Aliança Atlântica.

Num comunicado publicado logo após a comunicação com a primeira-ministra sueca, Erdogan disse que "espera que a Suécia tome medidas concretas e sérias, mostrando que partilha das preocupações da Turquia sobre a organização terrorista do PKK [Partido dos Trabalhadores do Curdistão] e as suas extensões na Síria e no Iraque".

Lusa

Marcelo em Kiev? "Quando o Governo entender adequado"

Marcelo Rebelo de Sousa foi convidado pelo homólogo ucraniano a visitar a Ucrânia.

António Costa deu conta deste convite de Volodymyr Zelensky após ter visitado a embaixada de Portugal em Kiev.

"Sou portador de um convite que o Presidente Zelensky fez a sua excelência o Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa] para visitar a Ucrânia em data oportuna. E esse é o convite que transmitirei", declarou o primeiro-ministro.

Confrontado com essa informação, em Timor, o presidente da República disse não ter ainda recebido o convite. Mas aceitará. "Obviamente sim", afirmou à RTP3.

"Eu irei quando o Governo entender adequado e se entender que é o melhor para o interesse de Portugal", afirmou, lembrando que depois de António Costa, que hoje visitou a Ucrânia e se reuniu com Zelensky, também Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República, aceitou convite para deslocar-se proximamente ao país. "Uma coisa é não ir nenhum, outra coisa é irem os três ao mesmo tempo", afirmou Marcelo, segundo o site da CNN Portugal.

Biden e 962 outros norte-americanos proibidos de entrarem na Rússia

A Rússia decidiu hoje proibir de forma permanente a entrada no país ao Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros 962 cidadãos norte-americanos, incluindo o chefe da diplomacia e o secretário de Estado da Defesa.

A decisão surge como retaliação pelas sanções aprovadas por Washington contra Moscovo devido à ofensiva militar da Rússia na Ucrânia.

"Sublinhamos que as ações hostis de Washington tornar-se-ão um 'boomerang' contra os EUA e serão devidamente rejeitadas", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado, anunciando a medida.

Lusa

Condecoração para funcionário da embaixada portuguesa em Kiev

O Primeiro-ministro português entregou as insígnias da Ordem da Liberdade a Andrei Putilovskiy, funcionário que, segundo António Costa, permitiu que a embaixada continuasse a funcionar todo este período de conflito, que começou há quase três meses.

António Costa anunciou ainda o regresso do embaixador português a Kiev, depois de ter sido deslocado para a Polónia.

Biden aprova apoio de 40 mil milhões de dólares a Kiev

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou hoje um decreto para apoiar a Ucrânia com mais de 40 mil milhões de dólares (37,8 mil milhões de euros) em assistência para fazer face à invasão da Rússia.

Segundo a Associated Press (AP), a legislação, que foi aprovada pelo Congresso com o apoio de democratas e republicanos, aprofunda o compromisso dos EUA com a Ucrânia num momento de incerteza sobre o futuro da guerra, que vai para o seu quarto mês.

A Ucrânia defendeu Kiev com sucesso, o que obrigou a Rússia a reorientar a sua ofensiva para o leste do país, mas as autoridades americanas alertam para o potencial de um conflito prolongado.

O financiamento destina-se a apoiar a Ucrânia até setembro e supera a medida de emergência anterior, que disponibilizou 13,6 mil milhões de dólares (12,9 mil milhões de euros).

Lusa

Zelensky afirma recusa alternativa à plena adesão do seu país à União Europeia

Na conferência de imprensa após o encontro com António Costa, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky recusou vias alternativas à plena adesão do seu país à União Europeia, considerando que representam em última instância um compromisso com as pressões da Rússia.

"A adesão à União Europeia será um sinal muito importante para o nosso povo. A via alternativa acaba por constituir não um compromisso, mas um compromisso com os russos, uma cedência às pressões" do regime de Moscovo, alegou o chefe de Estado ucraniano depois de interrogado sobre a possibilidade de beneficiar de um estatuto especial de integração no mercado livre europeu, em vez de se sujeitar a um complexo e longo processo de adesão à União Europeia.

Neste ponto, Zelensky referiu-se aos países europeus que se colocaram sob dependência energética da Rússia e que "acreditaram em compromissos" com o Kremlin.

"Viu-se agora como não foram cumpridos esses acordos, em que situação esses países ficaram e qual a base de confiança dos compromissos com a Rússia", apontou.

Lusa

António Costa realçou a forma "unida" como a Europa tem respondido à ação militar russa.

Portugal nunca tem a posição do "não", tem sim a posição do "Vamos lá procurar um entendimento", disse, realçando que os ucranianos já demonstraram que "determinação não lhes falta".

"Portugal regozija-se com a opção clara que a Ucrânia fez pela Europa", repete Costa, voltando a falar do relatório que se espera da Comissão Europeia sobre a adesão do país à UE, possivelmente em junho.

O primeiro-ministro reforça que a adesão portuguesa demorou nove anos e que se trata de um processo muito complexo.

"Acolhemos de braços abertos a opção muito clara que a Ucrânia fez pela Europa"

António Costa referiu que Portugal aguarda "com expetativa" a análise da Comissão Europeia sobre perspetivas de entrada da Ucrânia na UE e garantiu que, "independentemente do que venha a acontecer, disponibilizamos todo o apoio técnico".

"Acolhemos de braços abertos a opção muito clara que a Ucrânia fez pela Europa", disse o primeiro-ministro.

Costa referiu que espera que a visita que o subchefe de gabinete de Zelensky vai fazer a Portugal seja o início desse trabalho conjunto.

"Portugal tem tentado apoiar a Ucrânia das formas mais diversas", disse, garantindo que só não ajuda quando não pode.

Zelensky, "um líder que inspira o Mundo", diz Costa

António Costa começou a intervenção a referir que foi com "grande emoção" ter sido recebido por Zelensky, "um líder que inspira o Mundo e que nos tem dado a todos grande exemplo de coragem, personalizando a notável resistência contra agressão ilegal e forma bárbara como a Rússia tem conduzido a guerra em território ucraniano”.

Zelensky agradece apoio de Portugal: "Está do lado justo da história”

O presidente ucraniano agradeceu o apoio de Portugal à Ucrânia desde o início da guerra. "Senti e falei sobre a proximidade entre os nossos povos", disse Zelensky no início da conferência de imprensa que aconteceu após o encontro com Costa.

"Portugal está a ajudar desde os primeiros dias de guerra. Estamos muito gratos", afirmou, defendendo que “Portugal nesta luta está do lado justo da história”.

Zelensky defendeu ainda que a Ucrânia está a defender toda a Europa.

O presidente ucraniano referiu ainda que falou com Costa sobre a integração na União Europeia. "Sabemos que Portugal apoia a Ucrânia na UE".

Terminou a reunião entre Costa e Zelensky

Começa agora a conferência de imprensa.

Reino Unido propõe armar Moldova perante agressão russa

A ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, pretende equipar a Moldova com armamento moderno "do padrão da NATO [Organização do Tratado do Atlântico Norte] face a um possível ataque da Rússia".

Citando uma entrevista publicada hoje no 'The Daily Telégrafo', a agência EFE refere que Truss indicou que essa intenção está a ser analisada dentro da Aliança Atlântica, para que, se forem aceites, os países membros possam fornecer armas de defesa àquela ex-república soviética.

"Gostaria de ver a Moldova equipada segundo os padrões da NATO. É uma conversação que estamos a ter com os nossos aliados", afirmou a ministra.

Lusa

Forças russas dizem ter destruído "grande carregamento" de armas ocidentais

As forças militares russas anunciaram hoje ter destruído hoje um "grande carregamento" de armas e equipamento militar fornecido pelos Estado Unidos e países europeus à Ucrânia, adianta a AFP.

"Os mísseis Kalibr de alta precisão de longo alcance lançados do mar destruíram um grande carregamento de armas e equipamento militar fornecido pelos Estados Unidos e países europeus perto da estação ferroviária de Malin, na região de Zhytomyr", anunciou o ministro da Defesa russo, em conferência de imprensa, citado pela agência de notícias francesa.

Lusa

António Costa já está reunido com Zelensky

O primeiro-ministro português já está reunido com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev.

Zelensky considera que só a diplomacia poderá acabar com a guerra

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou hoje que só a diplomacia conseguirá pôr fim à guerra na Ucrânia, numa altura em que as negociações entre Moscovo e Kiev estão num impasse.

"O fim [do conflito] será diplomático", declarou Zelensky, numa entrevista a um canal de televisão ucraniano.

De acordo com o chefe de Estado ucraniano, a guerra "será sangrenta, continuarão os combates, mas só acabará definitivamente pela via diplomática".

Lusa

Gazprom anuncia suspensão do fornecimento de gás à Finlândia

A empresa russa Gazprom anunciou hoje a suspensão do fornecimento de gás à Finlândia, justificando-a com a recusa de Helsinquia em pagar em rublos.

A Gazprom não recebeu pagamentos em rublos da companhia energética pública finlandesa Gasum até à data limite de 20 de maio e "parou completamente os seus fornecimentos de gás", afirmou o gigante de gás russo em comunicado.

Antes, a companhia finlandesa Gasum tinha revelado que a gigante russa do gás lhe cortara o fornecimento, tal como anunciado na sexta-feira, por não satisfazer a exigência de pagar em rublos.

Esta suspensão acontece numa altura em que a Finlândia já formalizou o pedido de adesão à NATO, na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro.

Lusa

"É absolutamente devastador"

"A crueldade do ataque é absolutamente devastadora. Acho que é sobretudo a brutalidade do que aconteceu sobre a população civil. São ataques que visam apenas a destruição da vida das pessoas", disse António Costa.

Questionado quanto à investigação dos crimes de guerra, o Primeiro-Ministro disse que é fundamental que prossiga e que os crimes de guerra sejam apurados. "A guerra também tem regras e os responsáveis têm de ser punidos judicialmente".

"É um preço muito elevado essa defesa que fizeram da capital", diz Costa

António Costa recebeu uma explicação sobre a situação da cidade de Irpin, que foi bastante afetada pelos ataques russos.

70% da cidade foi destruída e cerca de 370 civis terão morrido em Irpin.

"É um preço muito elevado essa defesa que fizeram da capital", disse o Primeiro-Ministro.

Primeiro-ministro já está em Irpin

António Costa está na cidade de Irpin, "uma das zonas mais atingidas pela guerra", como referiu.

Junto a edifícIos destruídos pelas forças russas, António Costa inteirou-se das perdas e das condições de vida naquela zona.

"É com emoção e respeito que aqui venho, em sinal de solidariedade para com este País e este Povo", diz Costa

O primeiro-ministro, António Costa, assinalou hoje a chegada a Kiev com uma mensagem na rede social Twiter em que expressa a sua solidariedade à Ucrânia "perante a barbára agressão russa".

"Acabei de chegar a Kiev, respondendo ao convite feito pelo meu homólogo ucraniano. É com emoção e respeito que aqui venho, em sinal de solidariedade para com este País e este Povo, perante a bárbara agressão russa.Portugal apoia a Ucrânia", escreveu António Costa no Twitter numa mensagem em português e inglês acompanhada por uma foto da sua chegada no comboio.

Lusa

Costa já está em Kiev

O primeiro-ministro, António Costa, chegou a Kiev de comboio, hoje, pelas 09:00 locais (07:00 em Lisboa), para uma visita de um dia à Ucrânia, que inclui anda esta manhã uma reunião com o Presidente da República ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Numa longa viagem, feita em diversos meios de transporte, António Costa saiu de Varsóvia ao fim da tarde, às 18:00 de Lisboa, e aterrou 35 minutos depois na Base Aérea de Rseszow.

Depois, o líder do executivo português, que está acompanhado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André, e pelo embaixador de Portugal na Ucrânia, António Alves Machado, seguiu de carro para Prezemysl, na fronteira entre a Polónia e a Ucrânia, onde jantou.

Na estação ferroviária de Prezemyls, apanhou então um comboio noturno para Kiev, tendo partido às 21:30 de Lisboa, menos duas horas do que na Ucrânia.

Lusa