Colapso parcial no cone principal do vulcão gera novo rio de lava rumo ao mar

As autoridades dizem que o evento é normal, mas o novo fluxo de lava é mais fluido que os anteriores.

DN
Vista do cone principal, com o colapso parcial este sábado. | foto EPA/Miguel Calero
Combinação de fotos tiradas no mesmo local, a primeira no dia 19 e a outra já este sábado, mostrando o crescimento do vulcão. | foto DESIREE MARTIN / AFP
O Cumbre Vieja em erupção este sábado | foto DESIREE MARTIN / AFP
Nova boca eruptiva no vulcão de La Palma. | foto EPA/Miguel Calero

O cone principal do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma, sofreu um colapso parcial e gerou um novo rio de lava que corre em direção ao mar, anunciaram as autoridades espanholas. Segundo o diretor técnico do Plano de Emergência Vulcânica das Canárias (Pevolca), este é um evento normal já que a lava "estava numa parte mais profunda da caldeira".

Miguel Ángel Morcuende diz que o fenómeno é normal. "O cone não suporta o seu próprio peso e também devido às deflagrações de ontem procura poder sustentar-se, mas não tem grande importância", referiu, citado pelo El País.

"Colapsou pela parte sudoeste e deixa um rio enorme de blocos muito grandes a deslocar-se pela ladeira na direção ao mar", explicou o geólogo Carlos Lorenzo, num vídeo publicado no Twitter, quando seguia a caminho de mais uma reunião do comité diretor do Pevolca.

"Estamos diante de um evento vulcânico fissural de caráter estromboliano, o que quer dizer que os distintos centros de emissão se vão sucedendo ao longo de uma fissura, neste caso em direção noroeste-sudeste, na qual vão aparecendo uma série de centros emissores que se podem ir apagando e aparecer outros novos ou até voltar a aparecer os que já se apagaram", disse Morcuende na conferência de imprensa posterior à reunião.

Este sábado abriu-se ainda uma nova boca do vulcão, mas a oeste do foco principal, que se junta a outras duas bocas que se tinham aberto ainda na sexta-feira.

O Cumbre Vieja entrou em erupção no passado domingo, depois de uma semana de forte atividade sísmica na ilha.

Dezenas de casas já foram destruídas pela lava do vulcão que continua a correr em direção ao mar, mas não há vítimas depois de as autoridades terem retirado mais de seis mil pessoas da zona da erupção.

A velocidade dos fluxos de lava que devastaram parte da ilha nos últimos dias diminuiu acentuadamente e as autoridades têm dúvidas se e quando chegarão ao Oceano Atlântico.

O encontro entre a lava e o mar é temido em razão da emissão de gases tóxicos que pode provocar.

Por causa das cinzas e da falta de visibilidade, o aeroporto de La Palma teve que fechar, tendo havido um reforço dos serviços de ferries para Tenerife.