Avião europeu vai sobrevoar canal da Mancha

Decisão no final da reunião de ministros do Interior europeus e de responsáveis de Bruxelas e na qual não participou a governante britânica, a quem foi retirado o convite.

DN/AFP/Lusa
Ministros do Interior da Bélgica (Annelies Verlinden), França (Gérald Darmanin) e Alemanha (Stephan Mayer) na reunião em Calais, França.© FRANÇOIS LO PRESTI / POOL / AFP

A Frontex, a agência de fronteiras da União Europeia, vai destacar um avião para ajudar a combater o tráfico de migrantes no canal da Mancha a partir de 1 de dezembro, anunciou a França no domingo.

O avião "voará dia e noite" sobre a zona de França para a Holanda, disse o ministro do Interior francês Gérald Darmanin no final de uma reunião europeia que decorreu no norte de França dias depois da morte de 27 migrantes no canal da Mancha.

Nessa reunião, Paris reiterou não aceitar que haja mais mortes de migrantes no canal da Mancha, numa reunião em Calais onde se discutiram formas de fortalecer o combate às redes de tráfico de pessoas.

"Estas mortes são muito numerosas. Não podemos aceitar que outras pessoas morram", disse o ministro do Interior de França, Gérald Darmanin, que serviu de anfitrião de uma reunião com os homólogos, responsáveis por questões de imigração, da Alemanha, Bélgica e Países Baixos, bem como responsáveis da Comissão Europeia e da Frontex.

A França decidiu excluir o Reino Unido desta reunião, realizada quatro dias depois do naufrágio de uma embarcação insuflável no canal da Mancha, que matou 27 migrantes, depois de o primeiro-ministro britânico Boris Johnson ter pedido a Paris, numa mensagem no Twitter, para aceitar de volta os migrantes que tentaram passar de França para o Reino Unido

Esta carta provocou um aceso conflito diplomático entre Paris e Londres, com acusações mútuas em relação à responsabilidade sobre este tipo de tragédias.

As travessias de migrantes ilegais no canal da Mancha têm-se intensificado desde 2018, depois de as autoridades europeias terem bloqueado o seu acesso ao Eurotúnel, e os países europeus procuram agora formas eficazes de travar as redes de contrabando de seres humanos a quem são imputadas culpas nos acidentes com imigrantes.

"O tema mais importante desta reunião é a luta contra os contrabandistas que brincam com as nossas fronteiras e países, colocando os seus negócios à frente do valor das vidas humanas", disse Darmanin, à entrada para o encontro.

Sobre a exclusão do Reino Unido desta reunião, o ministro do Interior de França limitou-se a confirmar a dificuldade no entendimento entre os dois países, mas também a necessidade de prosseguir o diálogo.

"A relação com o Reino Unido não é fácil, mas é necessária. A nossa geografia obriga-nos a trabalhar juntos", explicou Darmanin.

A falta de cooperação entre os dois países já tinha sido criticada nos dois lados do canal da Mancha.

"Os dois países estão a atirar culpas um para o outro, enquanto crianças morrem", denunciou Lisa Nandy, porta-voz do Partido Trabalhista britânico.

"Não podemos continuar a contar mortos todos os dias, enquanto os dois países não chegam a um acordo", acusou Natacha Bouchart, presidente da Câmara de Calais.

Hoje, a partir do Vaticano, também o papa Francisco expressou a sua "dor" pelos migrantes que continuam a morrer no Canal da Mancha, lançando um apelo para "a compreensão e diálogo" entre as autoridades dos países.