"A Rússia não pode ganhar esta guerra." Mais sanções contra Moscovo e armas para Kiev

Chanceler alemão disse que há consenso ocidental para entregar artilharia pesada aos ucranianos, enquanto ministros russos confirmam "nova fase" da "operação militar especial".

No mesmo dia em que duas gradas figuras do regime putinista confirmaram a nova fase da "operação militar especial" para "libertar" Donetsk e Lugansk, e acusaram o Ocidente de todos os males, líderes europeus e norte-americanos (além do japonês) reuniram-se em videoconferência para acertarem nova ronda de sanções com o objetivo de "aumentar o isolamento internacional de Moscovo". Além disso, o primeiro-ministro neerlandês Mark Rutte anunciou o envio de mais armamento para Kiev enquanto o britânico Boris Johnson reconheceu a necessidade de equipar a Ucrânia com mais artilharia.

Os países aliados chegaram a um "amplo consenso" sobre a necessidade de aumentar a pressão sobre a Rússia através de novas sanções, revelou o governo italiano no final da reunião virtual entre os presidentes Joe Biden (EUA), Emmanuel Macron (França), Andrzej Duda (Polónia), Klaus Iohannis (Roménia), os chefes de governo Fumio Kishida (Japão), Boris Johnson (Reino Unido), Olaf Scholz (Alemanha), Mario Draghi (Itália), Justin Trudeau (Canadá) e ainda os líderes europeus Ursula von der Leyen e Charles Michel e o secretário-geral da NATO Jens Stoltenberg. Não foi revelado que sanções irão somar-se às existentes.

Uma paz "imposta" pelo líder russo Vladimir Putin para acabar com a invasão da Ucrânia seria "inaceitável" e "a Rússia não pode ganhar esta guerra" foi a mensagem que Olaf Scholz quis deixar aos jornalistas no final da reunião enquanto presidente rotativo do grupo dos países mais industrializados (G7). O chanceler, que tem sido alvo de críticas quer no estrangeiro quer na Alemanha, inclusive no seio do governo, pela resposta lenta aos pedidos de ajuda militar da Ucrânia, disse que o seu país não tem reservas de armamento e que está a trabalhar com a indústria de armamento para responder a Kiev. Disse ainda que há um consenso entre os países ocidentais para entregar artilharia pesada, tal como disse Boris Johnson na Câmara dos Comuns: "[A guerra] está a transformar-se num conflito de artilharia, e por isso é o que lhes vamos fornecer."

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo disse que a "operação militar" da Rússia entrou numa nova fase e vai continuar. Em entrevista ao canal televisivo India Today, Sergei Lavrov criticou a "presunção da maioria dos países após a Segunda Guerra Mundial" e atribuiu-lhes a responsabilidade pelo conflito. "Violaram as suas promessas aos dirigentes russos e começaram a deslocar a NATO para leste depois do desaparecimento da União Soviética. Disseram que era uma aliança defensiva e não uma ameaça à segurança russa."

Contra todos os relatos no terreno - por exemplo, novo bombardeamento em Kharkiv matou pelo menos três habitantes -, Lavrov voltou a dizer que o exército russo "só tem visado as infraestruturas militares e não os civis" e acusou o exército ucraniano de utilizar civis como escudos humanos. O chefe da diplomacia russa disse ainda que a Rússia só utilizará armas convencionais na Ucrânia, em resposta a uma pergunta sobre a possível utilização de armas nucleares na guerra.

"Os Estados Unidos e os países ocidentais sob o seu controlo estão a fazer tudo para arrastar tanto quanto possível a operação militar especial. Os fornecimentos crescentes de armas estrangeiras demonstram claramente a sua intenção de provocar o regime de Kiev para lutar até ao último ucraniano", disse o reaparecido ministro da Defesa russo. Sergei Shoigu frisou ainda, durante uma reunião com militares, que as forças russas estão a "executar metodicamente" planos para "libertar" as duas regiões controladas por pró-russos no leste da Ucrânia.

Moscovo lançou dezenas de ataques aéreos através do leste da Ucrânia durante as primeiras horas de terça-feira, disse o Ministério da Defesa russo, depois de Kiev ter confirmado que as forças russas desencadearam a anunciada ofensiva na região do Donbass. O ministério russo afirmou que "mísseis aéreos de alta precisão" atingiram 13 posições ucranianas em regiões do Donbass enquanto outros ataques aéreos "atingiram 60 equipamentos militares", incluindo em cidades próximas da linha da frente oriental.

75% contra 99%

Já os Estados Unidos disseram que, nas últimas horas, a Rússia incorporou às suas forças mais dois batalhões no Donbass, elevando o número total para 78. O funcionário do Pentágono disse aos meios de comunicação social que a Rússia mantém cerca de 75% dos soldados e armamento que reunira antes da invasão junto da fronteira com a Ucrânia. Apesar da diferença de forças em presença, Kiev mostra-se confiante. "A sua ofensiva falhará - dou-vos uma garantia de 99% - simplesmente não têm força suficiente", disse o conselheiro presidencial Oleksiy Arestovych em declarações à televisão ucraniana. "A batalha pelo Donbass, que foi anunciada e aparentemente começou segunda-feira, está em curso e está a decorrer de forma muito cautelosa. A batalha não irá resultar a favor da Rússia", vaticinou.

A cair nas mãos russas estará Mariupol. Novos bombardeamentos atingiram a fábrica Azovstal, onde o batalhão Azov e centenas ou milhares de civis se abrigaram, depois de as forças ucranianas terem ignorado um novo ultimato para se renderem.

cesar.avo@dn.pt

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