A festa fadista dos Fado Lelé

O grupo lisboeta é um dos convidados musicais do evento Histórias de Natal DN/Kia. O concerto está marcado para as 19h de domingo, 16, e servirá também para apresentar músicas novas

A primeira dúvida que surge, é o nome. Afinal, que raio de nome é este, Fado Lelé, que mais parece estar a chamar maluco ao fado, em português do outro lado do Atlântico. Miguel Castro, o mentor do grupo, sorri perante a pergunta, pois a explicação é muito mais prosaica e tem mais a ver com a predominância do ukelele, um instrumento havaiano descendente do português cavaquinho, na música deste grupo lisboeta. "Por outro lado, antigamente, lembro-me da palavra lelé ser também usada para classificar alguém bonito e aperaltado, como nós desejamos que seja a nossa música", afirma Miguel com humor.

A primeira hipótese, no entanto, até nem é totalmente desprovida de sentido, pois a sonoridade dos Fado Lelé é isso mesmo, uma espécie de fado amalucado, na qual a chamada música nacional se funde com ritmos oriundos dos quatro cantos do mundo, como o blues do Mississipi, o jazz de New Orleans, o reggae jamaicano, a rumba catalã, as mornas cabo-verdianas ou o sempre omnipresente jazz manouche. Ou seja, como explica Miguel, "influências trazidas pelos vários membros da banda, que têm a ver com o percurso de cada um na música". Tudo isto normalmente apresentado com uma atitude quase rockabilly, totalmente contrastante, portanto, com o reverencial ambiente do fado.

"Somos o posto da tristeza e melancolia normalmente associada ao fado, a nossa atitude em palco é mais rock and roll", assume o músico, para quem "fusão" é a palavra que melhor define os Fado Lelé. "Os arranjos e elementos são inspirados no fado, que fundimos como as mais variadas músicas pop do mundo", esclarece. O ênfase dado à palavra pop também não é por acaso, como esclarece em seguida: "O fado tem canções populares muitíssimo interessantes e, enquanto músico e produtor sempre desejei um dia recriar os clássicos de outra forma, puxando por esse lado mais pop do fado".

O primeiro álbum, "Portugal Sabe o Que É", surgiu no ano passado

Surgidos em Lisboa em 2011, os Fado Lelé são compostos por Miguel Castro (ukulele barítono e tenor), Ana Castelo (voz), Filipe Silva (bandolim e trompete) e Luis Gaspar (bateria), a quem ao vivo se junta ainda o músico convidado Luciano Barros, no baixo. Três anos depois, gravaram uma versão de A Tendinha, o clássico popularizado por Hermínia Silva, que de imediato conquistou algumas rádios. O primeiro álbum, "Portugal Sabe o Que É", surgiu no ano passado e nele se repartiam alguns temas originais, como O Fado Lelé, Mal de Amor e Amor Limão e "versões livres", de clássicos bem conhecidos de todos, como Uma Casa Portuguesa, Vou Dar de Beber à Dor (ambos posteriormente incluídos em bandas sonoras de telenovelas da SIC), Tudo Isto é Fado, Rua do Capelão ou Aldeia da Roupa Branca, entre outros.

A vocalista Ana Castelo reconhece que, "quem ouve pela primeira vez estes clássicos, assim com arranjos tão diferentes, reage sempre com alguma surpresa". Mas mesmo quem gosta de fado acaba por aceitar, devido ao lado muito festivo da nossa música, ao qual é difícil resistir".

Mesmo assim, no início, Miguel Castro sentiu alguns olhares de desconfiança por parte dos puristas do fado. "As pessoas mais elitistas desse clube olharam para nós de soslaio, mas depressa perceberam que nunca pretendemos ser uma banda de fado. A nossa ligação ao fado está apenas na melodia e nas letras, nada mais", esclarece.

Neste concerto em Lisboa, vão como é hábito, misturar temas próprios e versões, mas também apresentar os novos singles Não Sei Porque Foste Embora (um clássico de Amália Rodrigues) e o original É um Karma, que vão fazer parte do próximo álbum, com edição prevista já para o próximo ano.

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