Um acelerador de vendas português para marketplaces registou 10 milhões de euros em vendas no ano passado. Em 2026, quer mais do que duplicar a faturação, ao mesmo tempo que prepara uma nova ronda de investimentos e procura reforçar a equipa.O DN/DV esteve à conversa com o fundador e CEO da startup BIGhub, Rúben Lamy, que explica o funcionamento do software, que permite às empresas (que querem vender produtos e serviços ao público) gerirem anúncios para uma série de públicos diferentes, num só espaço."Dentro de um único sistema, os clientes conseguem gerir todos os marketplaces", aponta o responsável.Estes são 'lojas online', que possibilitam a qualquer utilizador fazer compras à distância e pagar na mesma modalidade. Ao mesmo tempo, a BIGhub paga ao dia, o que permite aos parceiros terem maior maior liquidez. Trata-se de um fator fundamental para que a gestão de stocks, por exemplo, possa ser feita da melhor forma.Para tal, cobra uma comissão de 20% sobre o volume de vendas e oferece aos clientes apoio no envio das mercadorias. Em simultâneo, conta com a possibilidade de "catalogar os anúncio de produtos através de Inteligência Artificial". No fundo, resume, "oferecemos um ecossistema global para o e-commerce, em quase todos os países da Europa"Foi com este modelo que faturou 10 milhões de euros em 2025, de acordo com os dados levantados recentemente e divulgados a este jornal. Significa isto que se observou um disparo de 350%, em linha com o objetivo traçado. Na origem, esteve a venda de mais de 100 mil encomendas, sendo que o número de empresas que aderiram ao serviço aumentou 60% no mesmo período.Em agosto, comprou a fintech Qashflo, estabelecida em França e que executa um acordo estabelecido com uma gigante do retalho português, a Worten. É que esta, além de ter lojas espalhadas pelo país, conta também com um marketplace próprio, onde é possível encontrar produtos vendidos também por outros utilizadores.Ora, o acordo entre as duas partes dita que a Qashflo financia os vendedores, que também recebem o dinheiro a curto prazo. "A Worten paga a 45 dias, nós pagamos ao dia", num serviço realizado com uma comissão de 3%. Ao mesmo tempo, a BIGhub procura posicionar-se no mercado europeu, de várias formas, pelo que está presente em mais três países.Dispersão pela Europa e aumento da equipaA empresa-mãe está sediada em Lisboa e conta com um escritório em Telheiras, Lisboa. A este, somam-se outras quatro empresas, distribuídas pelos dois escritórios em Huelva (Espanha), um em Paris (França) e outro em Frankfurt (Alemanha). Em 2025, a equipa cresceu 51%, com o propósito de dar resposta ao aumento da procura pelos serviços que presta.Neste âmbito, importa dizer que realizou contratações sobretudo nas áreas financeira e de Tecnologias de Informação (TI). Por esta altura, conta com uma política de trabalho que não seria possível até há poucos anos. É que 60% dos profissionais estão à distância (40% trabalham presencialmente), o que permite ligar os trabalhadores com maior facilidade.Investimentos e perspetivas para 2026Para tudo isto, a BIGhub precisa, naturalmente, de investimento. Nesta vertente, conta com a BlueCrow Capital, fundo português, que "acredita muito no modelo de negócio" e, por este motivo, avançou com um financiamento de 10 milhões de euros, através de uma ronda de investimento, em 2024. "Sem eles, seria impossível", reconhece Rúben Lamy. Ora, para 2026, está entre os planos o lançamento de uma nova ronda.É já no primeiro trimestre que a BIGhub deverá lançar mais uma ronda de investimento. Entre os planos, está ainda o aumento da equipa, ao mesmo tempo que a startup espera novo disparo na faturação."Precisamos de desenvolver mais software", explica o líder da BIGhub, pelo que "precisamos de contratar 25 pessoas", entre as quais deverão estar "15 programadores". Com a tecnologia no centro das atenções, a elevada procura está a fazer subir os preços das ferramentas e o valor dos salários, pelo que estas decisões vão existir a entrada de mais capital.Tendo isto em vista, "vamos abrir uma ronda no primeiro trimestre 2026", cujo valor ainda não está fechado, diz Rúben Lamy ao DN/DV.Noutro âmbito, conta com o desenvolvimento recente na BIGhub, já que, através do ecossistema desenvolvido pela própria, os clientes podem vender diretamente "através das próprias contas", o que vai permitir "aumentar significativamente o volume de faturação"Assim, o próprio quer ver, em 2026, o volume de vendas a atingir 25 milhões de euros..Startup Lisboa abre portas a mais 32 startups, metade das quais internacionais