Premium As últimas palavras de Vasco Pulido Valente foram para denunciar corrupção, amiguismos e incompetência

Durante 15 meses, o historiador (1941-2020) fez uma longa viagem pelo passado de Portugal que mais o entusiasmava em 43 entrevistas inéditas. Mesmo no fim da vida, escolheu falar sobre corrupção.

Se tivesse de escolher três grandes desilusões na vida de Vasco Pulido Valente após a maratona de 43 entrevistas que lhe fiz durante 15 meses (15.10.2018 a 20.01.2020), diria que a primeira seria uma grande frustração por não se ter tornado o ideólogo de uma direita portuguesa a partir da Revolução de Abril. Desejava-o e a sua presença intermitente na vida partidária nos primeiros anos de democracia confirma essa intenção após ter regressado definitivamente a Portugal depois do fim do salazarismo e ter-se envolvido na construção por uma nova sociedade em que o Partido Social Democrata (ex-PPD) teria um peso importante e definidor.

Acreditou que Sá Carneiro daria corpo a essa ideologia, mas a morte do líder do PSD a 4 de dezembro de 1980 num acidente aéreo fez cair por terra qualquer esperança, mesmo que depois se tenha aproximado politicamente e como conselheiro de Mário Soares e do Partido Socialista por via da sua convicção antimilitarista - contra a manutenção do Movimento das Forças Armadas na vida política em vez de regressarem aos quartéis após o golpe e da eternização do Conselho da Revolução - e numa posição anticomunista que logo previu ser necessária após assistir à chegada de Álvaro Cunhal a Lisboa, poucos dias após a queda do regime.

Ler mais

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG