Premium Esplendores e misérias da enfermagem

Nazaré, a telenovela da SIC que se estreou há duas semanas, começou com um incêndio. Virgílio Castelo, o taciturno dono de uma empresa, está atado a um poste enquanto o seu irmão, o taciturno pretendente a ser dono da empresa, despeja baldes de gasolina à sua volta. "Qual é a tua ideia? Tu... tu vais matar-me?" A resposta é afirmativa e o incidente marca várias personagens, muitas das quais ainda tentam lidar com o rescaldo. Uma delas, Gonçalo, sobreviveu à calamidade, mas o trauma condenou-o a sofrer ataques de pânico sempre que uma chama (literal ou metafórica) deflagra nas suas imediações. Felizmente faz parte de uma novela e quase ninguém fuma, mas isso não significa que o seu dia-a-dia esteja livre de perigos. Um dia, ao chegar a casa, encontra o filho na cozinha a incinerar leite-creme com um maçarico culinário, o que leva Gonçalo, naturalmente, a agredi-lo. "Queres queimar a casa inteira e matar-nos a todos?", reclama.

Não é só a doçaria experimental que reaviva o trauma; também as mais inofensivas expressões coloquiais têm o mesmo condão. Uma cena anterior mostra-o a entrar na mesma cozinha no preciso momento em que a esposa, comentando as incidências de um enredo paralelo, desabafa "ele só vai arranjar lenha para se queimar". Gonçalo consegue não a agredir, mas o nervosismo com que a interroga sobre os pormenores daquela suposta lenha são um tributo à arte narrativa.

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