Premium Operação Marquês. Granadeiro chama 5.º mais rico do mundo para o defender

O quinto homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim Helú, é uma das 15 testemunhas que Henrique Granadeiro nomeou para serem ouvidas na fase de instrução do processo Marquês. Começa hoje a defesa do antigo líder da Portugal Telecom, que é acusado de ter recebido 24 milhões de euros do GES para beneficiar o grupo em vários negócios.

O quinto homem mais rico do mundo, um antigo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, um professor catedrático e empresários. A lista de testemunhas apresentadas por Henrique Granadeiro para serem ouvidas na fase de instrução do Processo Marquês envolve nomes de peso que vão tentar demonstrar que o antigo CEO e presidente do conselho de administração da Portugal Telecom não deve ir a julgamento.

Os 15 nomes propostos pela defesa de Granadeiro - responde por crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, peculato, abuso de confiança e fraude fiscal qualificada - começam a ser ouvidos hoje por Ivo Rosa, o magistrado que lidera esta fase do processo que tem no antigo primeiro-ministro José Sócrates o arguido mais mediático de uma acusação que envolve 28 arguidos (19 pessoas e nove empresas) e um total de 188 crimes.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?