Empresas investem mais, poupa-se menos, Centeno obtém excedente

25% da riqueza gerada pelas empresas é para investimento, mas economia volta a ser deficitária. Famílias só poupam 4,5% do que ganham. Mais impostos e controlo da despesa ajudam Centeno a brilhar.

O peso do investimento empresarial (sociedades não financeiras) no valor acrescentado bruto (VAB) gerado por este setor da economia aumentou para 25,2%, o valor mais alto desde 2010 no ano terminado no primeiro trimestre de 2019, indicou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Já as famílias portuguesas (outro dos setores) continuam a poupar pouco e menos, dedicando assim mais rendimento ao consumo. A taxa de poupança dos lares baixou uma décima, para 4,5% do rendimento disponível, no ano terminado em março.

No campo das contas públicas (outro dos setores), o saldo orçamental em contas nacionais voltou a ser positivo, equivalente a 0,4% do produto interno bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano. Mário Centeno, ministro das Finanças, congratulou-se com o feito, mas reconheceu que não há grande margem para deixar voltar o défice.

Assinalou, no entanto, em resposta às muitas críticas que tem recebido ao longo de meses, que este governo continua a fazer uma grande aposta na saúde e na educação. Em todo o caso, este é o quarto excedente orçamental trimestral obtido por Centeno. Antes dele, as Finanças foram sempre deficitárias.

Mais investimento, mais défice externo

O INE mostra que o esforço de investimento das sociedades não financeiras (sem contar com banca e seguros, por exemplo) aumentou de força expressiva no arranque deste ano. Segundo o FMI e a Comissão Europeia já poderá estar relacionado com a entrada de fundos europeus.

O INE dá conta de um "aumento em 4,8% da formação bruta de capital" (investimento), bem acima do ritmo de expansão da economia empresarial medida através do VAB, que ganhou 0,9%.

Mas claro que há aqui um senão. Como Portugal precisa de comprar lá fora tecnologias e equipamentos para poder investir, isso acabou por gerar um défice externo à economia no início do ano, o que não acontecia há sete anos.

"A economia portuguesa registou uma necessidade de financiamento de 0,2% do produto interno bruto (PIB) no 1.º trimestre de 2019, o que compara com uma capacidade de financiamento de 0,2% no quarto trimestre de 2018. Esta inversão resultou do comportamento das transações de bens e serviços com o exterior que, pela primeira vez desde o final de 2012, apresentaram saldo negativo", revela o INE.

As empresas investem mais pagando mais ao exterior, as famílias continuam sem conseguir reforçar a sua poupança e a dedicar mais rendimento disponível ao consumo.

"A taxa de poupança das famílias diminuiu para 4,5% do rendimento disponível (4,6% no trimestre anterior), em resultado do aumento de 0,9% da despesa de consumo final superior em 0,1 pontos percentuais ao crescimento do rendimento disponível."

O rendimento disponível das famílias aumentou 0,8% apoiado numa expansão de 1,1% das remunerações. Estes rendimentos do trabalho acabaram por explicar 0,7 pontos dessa variação do rendimento final.

As finanças públicas começam o ano acima do equilíbrio, mas é expectável que haja uma moderação neste indicador do saldo orçamental já que Mário Centeno tem como meta um défice de 0,2% do PIB no ano 2019. Em todo o caso, será um mínimo histórico em democracia.

O "sucesso" neste arranque de ano é explicado pelo forte desempenho dos impostos e das contribuições, que cresceram mais de 6%, mais do dobro da expansão da despesa (2,6%). O investimento público subiu 2,9%.

Centeno comentou este que é o seu quarto excedente trimestral. "É a primeira vez, pelo menos desde 1995 (início da série de contas nacionais trimestrais setoriais), que as contas públicas apresentam um excedente no primeiro trimestre do ano."

Há cativações na saúde, mas não no SNS

"Quando comparamos 2019 com 2015 temos mais 1600 milhões de euros no SNS, em partes quase iguais em pessoal, mais médicos, mais enfermeiros, mais técnicos de diagnóstico, assistentes operacionais e assistentes técnicos, e um reforço de meios de diagnóstico, consumos correntes. São mais 860 milhões com pessoal e 780 milhões de euros com outros consumos correntes", afirmou ontem Mário Centeno, numa sessão sobre os dados do INE.

O ministro tentou refutar críticas, reiterando que "não há cativações no Serviço Nacional de Saúde [SNS]". As únicas que existem na Saúde são em áreas administrativas e não estão associadas ao SNS. São cativações como as dos outros ministérios", "é normal". No entanto, lembrou que a consolidação das contas é para continuar, é "essencial para que se cumpram os objetivos no Orçamento do Estado".

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