Duas grandes figuras portuguesas

De pequeno, Portugal só terá a dimensão geográfica, além de algumas mentalidades pequeninas e limitadas, mas não são essas que aqui me trazem hoje. Duas grandes figuras portuguesas, cada uma no seu estilo e no seu campo político, têm demonstrado do que são feitos os melhores de nós. António Guterres está a desempenhar a missão da sua vida, ao liderar as Nações Unidas até ao dia 31 de dezembro deste ano. Durão Barroso destacou-se como presidente da Comissão Europeia e agora volta a assumir um papel importante para todos: o de presidente do conselho de administração da Gavi, The Vaccine Alliance.

Guterres, depois de ter sido torpedeado por Donald Trump, avança agora para nova candidatura a secretário-geral da ONU e já tem o apoio formal do primeiro-ministro, António Costa. Será candidato a um segundo mandato por mais cinco anos e, provavelmente, metade desse novo ciclo - caso seja reeleito - será absorvida pela crise sanitária e pelos efeitos devastadores da pandemia. Guterres não baixou os braços perante as dificuldades. Em janeiro, anunciou a sua disponibilidade para uma nova fase nesta mesma missão. Quando foi eleito para o primeiro mandato, foi aclamado pelos 193 Estados membros da Assembleia Geral da ONU. Guterres reúne hoje condições para ser, de novo, aplaudido.

Barroso escreveu no Diário de Notícias, no último sábado, que é preciso "solidariedade vacinal, já". De nada serve protegermos apenas os nossos - ainda que seja essa a prioridade - se não estendermos a outros países não desenvolvidos o plano de vacinação da covid-19. O paradigma multilateral que conhecemos no velho normal regressará - sobretudo agora, que saiu Trump e entrou Biden. O vírus não conhece fronteiras e a globalização não está imune à pandemia. Só protegendo todos nos salvaguardamos a nós próprios enquanto seres humanos e enquanto economias. Como escreveu Barroso, "o G7 tem uma oportunidade para demonstrar liderança, fazendo do êxito desta iniciativa [o Mecanismo Global para o Acesso à Vacinação contra a Covid-19 (COVAX)] a sua principal prioridade".

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