Premium "Há pessoas que adorariam que a ciência dissesse que as mulheres são naturalmente donas de casa"

Podemos confiar no que a ciência diz sobre as mulheres? A "extensão do preconceito é surpreendente", diz a jornalista Angela Saini, que veio a Portugal falar sobre o livro Inferior e diz que a ciência foi usada pelos homens no poder para reforçar o seu domínio, excluindo deliberadamente as mulheres e distorcendo o que pensamos que sabemos sobre nós.

Desde criança que Angela Saini gosta de ciência e desde pequena que se habituou a ser uma das poucas raparigas no seu campo - do lançamento de pequenos foguetes na infância aos mestrados de Engenharia em Oxford e Ciência no King's College. Com o tempo, chegou a perguntar-se se seria diferente da maioria das mulheres. Até que começou a destapar o preconceito da ciência contra as mulheres - que não é apenas visível nos laboratórios atualmente, mas é basilar na ciência moderna, desde o Iluminismo, e afeta os estudos, resultados e o que pensamos que sabemos somos nós, defende. Aliás, os médicos chegaram a defender que "o desgaste mental exigido pelo ensino superior poderia retirar energia do sistema reprodutivo, prejudicando a sua fertilidade", escreve Saini.

Serão as mulheres mais empáticas e os homens mais sistemáticos, por exemplo? Serão eles naturalmente promíscuos e elas recatadas? Serão elas e eles tão diferentes que parecem vir de planetas distintos? Ou é apenas má ciência? Para Saini, durante séculos, os cientistas (homens) ignoraram metade da humanidade ou olharam para ela com uma visão distorcida pelos preconceitos do seu tempo. Pior, argumenta, a ciência foi instrumentalizada para justificar as estruturas de poder que subjugavam as mulheres e outras raças. E ainda é.

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A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.