Marcelo em Timor. Reforçar laços entre países com "saudades do futuro"

Presidente da República terminou visita de três dias em que defendeu um reforço da cooperação entre Portugal e Timor, sublinhando o potencial da língua portuguesa.

Susete Francisco
Marcelo com o anterior e o atual presidente de Timor, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta. | foto António Cotrim/Lusa
O Presidente da República numa visita ao Arquivo e Museu da Resistência Timorense, acompanhado de Ana Gomes, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho. | foto António Cotrim/Lusa
Marcelo Rebelo de Sousa num encontro com a comunidade portuguesa residente em Timor. | foto António Cotrim/Lusa

A primeira visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Timor-Leste terminou este sábado com a promessa de um regresso e um convite aceite pelo presidente timorense, José Ramos-Horta, que visitará Portugal por ocasião da Web Summit. Na despedida, o Presidente da República saudou a jovem democracia timorense como "um sucesso no mundo".

Já na fase final da primeira visita que fez a Timor-Leste, para participar na cerimónia de tomada de posse de José Ramos-Horta como presidente da República, e nas comemorações oficiais dos 20 anos da restauração da independência, o chefe de Estado sublinhou que a independência de Timor foi "a causa que mais uniu os portugueses". E, dirigindo-se a Ramos-Horta e ao papel que o Nobel de Paz de 1996 desempenhou na resistência timorense à ocupação indonésia, considerou como "uma justiça" que tenha sido eleito pela segunda vez para a presidência de Timor: "Está já na galeria da História, mas está também ao mesmo tempo a servir o seu povo fazendo ainda mais História. Isto é muito raro", referiu Marcelo, citado pela agência Lusa, falando durante um encontro com a comunidade portuguesa na capital timorense, Díli. Ramos-Horta devolveu as palavras: "Senhor Presidente, é mesmo muito popular. Está toda a gente aqui por sua causa. Um caloroso abraço a si, leve o abraço para Portugal".

Foi a despedida de uma preenchida visita de três dias, que teve início na última quinta-feira, e durante a qual Marcelo Rebelo de Sousa pôs a tónica no aprofundamento da cooperação entre os dois países, potenciada pela língua comum. Nesse sentido, o Presidente da República deixou expressa a vontade política de alargar o projeto Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE). "Passaram uns anos e o projeto está a caminhar, vai caminhar mais, vai ser mais ambicioso. Queremos ter mais professores e mais escolas e formar mais professores e formadores timorenses", afirmou Marcelo, destacando a presença de "200 professoras e professores que todos os dias, em todos os pontos do território de Timor, estão a trabalhar pela sua pátria".

A questão da língua tinha já sido destacada pelo Presidente da República numa palestra improvisada a estudantes da Universidade Nacional de Timor Lorosa"e, onde pediu aos jovens timorenses que valorizem a "a sorte de nascer num país que tem a quinta língua mais falada do mundo". "O francês é menos falado do que o português, de longe. Nós damos uma sova à língua francesa, eles não gostam de ouvir falar nisso, mas é verdade. E aos alemães, nós em língua aos alemães é dez a zero", disse Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando que também as universidades dos dois países devem estreitar laços.

Um princípio que o chefe de Estado português quer ver também aplicado ao mais alto nível entre os dois "países irmãos" que, para lá da forte ligação do passado, devem sobretudo olhar para a frente - que têm "saudades do futuro", na expressão que utilizou na sexta-feira, no discurso no Parlamento Nacional de Timor-Leste. Um reforço da cooperação que José Ramos-Horta também sublinhou no dia de ontem, após um encontro com Marcelo no Palácio Presidencial, pedindo-lhe "para pensar nas oportunidades que virão com a futura próxima adesão de Timor à ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático]": "Gostaríamos de ter aqui investidores portugueses em Timor, pensando nesse grande mercado de 700 milhões de pessoas, quatro triliões de dólares. Seria uma grande oportunidade para nós e também para os empresários portugueses".

O encontro no Palácio Presidencial, onde esteve também Xanana Gusmão - o anterior presidente da República timorense - decorreu depois de uma visita ao Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT), num percurso que começou com a chegada dos portugueses ao país, há mais de 500 anos, e se estende à história da resistência timorense à ocupação indonésia. Com Lusa

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