Pandemia afunda vendas de casas em abril. E os novos contratos de arrendamento

Algarve e Madeira registaram a diminuição mais acentuada. Número de novos contratos de arrendamento também estão a cair de forma acentuada.

A pandemia do novo coronavírus está a deixar marcas em todos os setores da economia e o imobiliário é um dos mais afetados. O número de vendas está a cair a pique e os novos contratos de arrendamento também não escapam à razia, indicam os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"A pandemia afetou o mercado habitacional de forma diferenciada no território", começa por apontar o gabinete de estatística. "Em abril de 2020, em todas as regiões, registou-se uma diminuição do número de vendas de alojamentos familiares face ao período homólogo".

"Em abril de 2020, foram vendidos 5,1 alojamentos por mil alojamentos familiares clássicos em Portugal uma diminuição de -19% face ao mês anterior e de -17% face ao período homólogo", indica o INE.

As regiões de Lisboa e do Algarve continuam, mesmo assim, a registar valores acima da média nacional. "Ao nível regional, com exceção da Área Metropolitana de Lisboa (7,1) e do Algarve (6,7), as restantes regiões apresentaram um número de vendas por mil alojamentos familiares inferiores à referência nacional, destacando-se o Centro com o menor valor entre as sete regiões NUTS II do país: 3,8 alojamentos por mil alojamentos familiares clássicos".

Apesar de o impacto no mercado imobiliário afetar todo o território nacional, há regiões que estão a sofrer mais com a pandemia de covid-19. "Em abril de 2020, verificou-se nas sete regiões, uma diminuição do número de alojamentos vendidos por mil alojamentos familiares clássicos face ao mesmo mês do ano anterior, destacando-se, com diminuições superiores a 20%, o Algarve (-24,3%) e a Região Autónoma da Madeira (-20,5%)", sublinha o INE.

São os efeitos do confinamento da população, mas também o impedimento de circulação de estrangeiros que ganharam peso no mercado de compra de casas em Portugal nos últimos anos. De acordo com os dados de 2018 - últimos disponíveis - os estrangeiros compraram perto de 20 mil imóveis e gastaram 3,4 mil milhões de euros em imobiliário nacional. São também eles que compram as casas mais caras.

Em média, cada não residente desembolsou 171 mil euros por imóvel, um valor 58% superior à média das transações globais concluídas no país em 2018.

Rendas não escapam

Mas o mercado de arrendamento também está a sentir os efeitos da pandemia e da menor mobilidade da população nacional e estrangeira. "Em abril de 2020, registaram-se 2,2 novos contratos de arrendamento por mil alojamentos familiares clássicos em Portugal, uma diminuição de -50% face ao mês anterior e de -13% face ao período homólogo", refere o Instituto Nacional de Estatística.

A nível regional, à exceção de Lisboa, todo as regiões "apresentaram um número de novos contratos de arrendamento por mil alojamentos familiares clássicos inferior à referência nacional". E mais uma vez, o Algarve registou uma das maiores descidas (-17,7%), apenas ultrapassada pela Região Autónoma dos Açores (-18,4%).

Cerca de 20% ainda confinada

No destaque publicado na passada sexta-feira (19 de junho), o INE volta a recorrer aos dados da iniciativa data for good do Facebook para analisar a mobilidade dos portugueses, tendo em conta a proporção de população que "ficou em casa" entre os dias 1 de março e 15 de junho.

Os dias correspondem aos domingos e segundas-feiras, desde o início do mês de março. Recorde-se que o primeiro caso de covid-19 foi identificado no dia 2 de março.

Este indicado permite perceber uma redução dos níveis de mobilidade com o início do estado de emergência no dia 19 de março. "Em sentido contrário, com progressivo aumento de mobilidade, salienta-se a passagem do estado de emergência para a situação de calamidade a 3 de maio, sendo que a terceira fase teve início a 01 de junho", refere o INE.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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