NATO: 95 militares em isolamento para missão de F-16 na Polónia

A partir de 1 de setembro, quatro caças portugueses F-16M e respetivas tripulações vão treinar contra possíveis intrusões da Rússia no espaço aéreo da NATO

Os 95 militares do destacamento aéreo que parte para a Polónia a 1 de setembro, em missão das Forças Armadas para a NATO, entraram em isolamento nesta semana, depois de terem todos sido testados à covid-19. "Vão cumprir a quarentena de 14 dias, obrigatória no atual contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus", confirmou ao DN o tenente-general Marco Serronha, chefe de Estado-Maior do Centro de Comando das Operações Militares (CCOM).

O destacamento da Força Aérea vai voar para a base de Malbork, na Polónia, com quatro caças F-16M e integra pilotos, militares de manutenção e apoio médico. A missão tem a duração de dois meses e os militares regressam a 30 de outubro. Vão treinar para, principalmente, prevenir e impedir intrusões russas no espaço aéreo da NATO.

"Esta é uma missão no quadro das Assurance Measures da NATO, que tem como objetivo assegurar coletivamente e de forma contínua, a capacidade de rapidamente reagir a violações do espaço aéreo da Aliança", explica o oficial-general, responsável pela coordenação da força nacional destacada.

'Jogo' permanente

"Durante a missão, as aeronaves portuguesas irão realizar treino com forças de vários países do flanco leste da Aliança, tendo como grande vantagem propiciar às nossas tripulações um treino integrado com outros países", completa. Está prevista a participação, além da Polónia, de militares da Dinamarca e da Holanda.

"É evidente que estas missões de treino, que incluem procedimentos de combate e interceção, também contribuem para a dissuasão, pois uma presença massiva na Polónia destes meios aéreos é muito forte", afiança o chefe do CCOM.

"É uma espécie de 'jogo' permanente onde cada lado utiliza o melhor que tem e testa a reação."

Outro ponto que este general destaca é o facto de estas missões servirem também para testar e partilhar as últimas tecnologias de parte a parte. É uma espécie de 'jogo' permanente" onde cada lado utiliza o melhor que tem e testa a reação. "Por um lado, mantém-se a pressão com a presença destes caças e, ao mesmo tempo, testa-se o equipamento e as tecnologias", completa Marco Serronha.

Rússia mantém pressão

É a quarta vez que os militares portugueses participam numa missão desta natureza - houve duas na Roménia, em 2015 e 2017, e outra na Polónia no ano passado. Os F-16 portugueses têm ainda integrado as operações de policiamento aéreo da NATO na Lituânia e na Islândia (2007, 2012, 2014, 2016 e 2018). No total, foram realizadas cerca de mil missões e mais de 2200 horas de voo.

João Rebelo, presidente da Comissão Portuguesa do Atlântico - associação que promove e defende os valores da NATO - salienta a "importância destas missões contra a ameaça russa".

"Os russos frequentemente invadem o espaço aéreo de países da Aliança - até mesmo Portugal foi alvo de uma dessas intrusões, em 2016."

O ex-deputado do CDS lembra que "os russos frequentemente invadem o espaço aéreo de países da Aliança - até mesmo Portugal foi alvo de uma dessas intrusões, em 2016. A ameaça mantém-se e a Rússia está sempre a pressionar. Isto mostra uma postura agressiva que merece uma resposta - essa resposta é esta que a NATO tem estado a dar: defender o espaço aéreo dos países da Aliança. Não está em causa uma guerra, mas mostrar que estamos preparados para a nossa defesa".

Para este ex-membro da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República, "estar presente e forte nestas missões é um desígnio que une os grandes partidos em Portugal. Da parte da NATO, reforça a coesão entre os seus aliados, como é prova disso que tenha um país do Sul como Portugal a participar na proteção dos países de leste.

Apoiar os aliados

Marcos Perestrello, presidente da comissão parlamentar de Defesa Nacional, sublinha que a " a participação das Forças Armadas Portuguesas em missões da NATO é demonstrativa da elevada qualidade do trabalho desenvolvido pelos militares portugueses e também do elevado nível tecnológico do equipamento que utilizam".

"A NATO é a organização militar que garante a nossa defesa e segurança, por isso temos de contribuir para o esforço militar da Aliança."

O deputado do PS e ex-secretário de Estado da Defesa diz que "é também por isso muito importante manter o investimento no equipamento das Forças Armadas, a fim de podermos continuar a acompanhar os nossos aliados no esforço coletivo de segurança que todos fazemos".

"A NATO é a organização militar que garante a nossa defesa e segurança, por isso temos de contribuir para o esforço militar da Aliança", conclui.

Treinar para defender Portugal

Na mesma linha de apoio a esta participação está Ana Miguel, a coordenadora da bancada parlamentar do PSD para a Defesa.

"São missões importantes e essenciais para a Força Aérea Portuguesa, pois todo este treino que os militares fazem vem beneficiar o próprio desempenho das missões em Portugal, na defesa do espaço aéreo nacional. Modernizam-se e atualizam-se nas melhores práticas e têm contacto com tecnologias de ponta. Portugal não pode ficar de fora", afiança.

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