Presidenciais. PS mantém o jogo aberto até as candidaturas estarem na rua

Os socialistas só decidirão formalmente quem apoiam quando as candidaturas forem oficiais. E podem até não apoiar ninguém, como em 2016.

A pouco mais de oito meses das presidenciais de 2021 - provavelmente a 24 de janeiro, como há cinco anos - o país político discute animadamente as próximas eleições presidenciais.

A "culpa" foi do primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, que na semana passada, numa visita à Autoeuropa, decidiu dar um empurrão à recandidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa.

Ontem (18 de maio), surgiu novo "empurrão" socialista, desta vez de Ferro Rodrigues, reafirmando o que já tinha dito há mais de um ano. O presidente do Parlamento foi almoçar ao Bairro Alto (Lisboa) com o primeiro-ministro - uma iniciativa para assinalarem a reabertura, esta segunda-feira, dos restaurantes. Mas antes deixou a certeza da sua própria convicção pessoal: "Não mudei uma vírgula sobre aquilo que disse há ano e meio. Se as eleições fossem amanhã, não hesitaria em votar no professor Marcelo Rebelo de Sousa."

Horas antes, entrevistado na TSF, Costa tinha deixado bem claras as regras do jogo no PS, quanto a presidenciais: o partido só apoia candidatos depois destes estarem oficialmente anunciados. Foi assim com Mário Soares, com Jorge Sampaio e com Manuel Alegre (2011). "O PS tem uma tradição e nunca lançou um candidato", só apoiando "candidatos que existiam", disse.

"Se as eleições fossem hoje, ninguém tem dúvidas em relação a quem as ganhava e com uma expressão muitíssimo grande. É manifesto qual é o sentimento popular, as pessoas apreciaram a forma como o atual Presidente da República tem exercido as suas funções"

Seja como for, Costa acha que Marcelo representa "o desejo profundo dos portugueses quanto ao exercício da função presidencial"

"Se as eleições fossem hoje, ninguém tem dúvidas em relação a quem as ganhava e com uma expressão muitíssimo grande. É manifesto qual é o sentimento popular, as pessoas apreciaram a forma como o atual Presidente da República tem exercido as suas funções", explicou o primeiro-ministro.

O que António Costa não disse é que houve alturas em que não apoiou ninguém, tendo os militantes liberdade de voto. Nas últimas presidenciais, por exemplo, quando avançou uma destacadíssima militante do partido, Maria de Belém. O PS não a apoiou e muitos 'senadores' do PS preferiram aliás apoiar Sampaio da Nóvoa.

Discussões na "bolha"

Esse é, portanto, para as presidenciais de 2021, uma opção em cima da mesa: o PS não apoiar ninguém. Mesmo que avance outra destacada militante do partido. Depois de Costa ter empurrado Marcelo para uma recandidatura, na semana passada, a ex-eurodeputada Ana Gomes declarou estar mesmo a "refletir" sobre a possibilidade de se candidatar. Há umas semanas, quando Francisco Assis propôs o seu nome, Ana Gomes dizia que tinha outras prioridades.

Interpelado sobre o assunto à tarde, à margem de uma visita à Torre de Belém - para assinalar a reabertura dos museus e monumentos nacionais -, Marcelo Rebelo de Sousa tentou pôr uma pedra sobre o assunto.

"O que preocupa aos portugueses é a pandemia, se há segundo surto e os salários, os empregos e os rendimentos e como a economia arranca até 2022. Daqui a cinco ou seis meses haverá a convocação para as eleições presidenciais, não é uma preocupação dos portugueses. Uma coisa é a bolha mediática, outra é o que os portugueses pensam. Logo se verá quem concorre ou não concorre", disse o PR.

Enquanto isto o PCP mantém-se em silêncio - mas os comunistas têm sempre um candidato próprio, nem que seja para desistir à boca das urnas - e o Bloco de Esquerda assegura, via Catarina Martins, que "no seu tempo" o partido "apresentará naturalmente a sua candidatura".

CDS na encruzilhada

À direita, reina uma certa confusão. Um antigo líder da Iniciativa Liberal decidiu lançar Adolfo Mesquita Nunes, um dos mais destacados dirigentes do CDS-PP no tempo de Assunção Cristas (foi o autor do programa eleitoral do partido).

O líder do partido, por seu turno, já fez saber, numa entrevista ao Expresso, que não gosta do registo de excessiva "intimidade" de Marcelo com o governo do PS. Perante isto, José Ribeiro e Castro, antigo líder do partido - e apoiante da atual direção - decidiu reeditar na Visão avisos que já há alguns meses tinha feito numa entrevista ao DN: o CDS, mesmo podendo ter razões aqui e ali para criticar Marcelo, deve apoiar a sua recandidatura: "O Presidente da República é a única coisa boa que aconteceu ao centro e à direita nos últimos anos. Se ele não se tivesse candidatado, mais ninguém teria ganho e seria muito pior com um Presidente totalmente alinhado com a maioria de esquerda. Devemos muito ao professor Marcelo Rebelo de Sousa, que tem aquela personalidade irresistível. Depois é uma pessoa extremamente trabalhadora. Agora, há coisas com as quais não estou de acordo, mas essas podemos dizer. O facto de ser Presidente da República e de o apoiarmos na sua reeleição não quer dizer que não o critiquemos, até fortemente, se for caso disso."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG